O movimento de retorno nas artes


O movimento de retorno nas artes

Outro dia estive visitando o Atelier do amigo Fernando Penna de Moraes, a seu convite, entusiasmado ele dizia que depois de um longo jejum estava novamente pintando. Para minha surpresa enormes painéis de madeira descansavam sobrepostos, uma imaginária loja de flores tomou conta do meu olhar. A magia de passear por um lugar que não existe é indescritível, cores exuberantes convivendo com formas e figuras primorosamente desenhadas. A fusão entre o fazer do artista e do artesão tão inseparáveis me pareceram uma síntese das possibilidades de expressão do momento. Não quero usar o termo contemporâneo pois nosso “tempo contemporâneo” muda tão rapidamente que parece um movimento estático. Assim como na moda, nos costumes , nas ideias, os estilos e estéticas vão e vem, são construídos e destruídos. Mas alguns traços não nos abandonam nunca são nossa essência, não importa como “nomeamos” uma fase da expressão de um momento, importa a emoção que transmite. Fiquei com a impressão de estar diante de um homem apaixonado pela vida, ou encantado pelo próprio desejo de pintar. Bom, ruim, novo, antigo perdem totalmente o sentido quando um artista expõe o seu pensar, ou pulsar. Toda a arte é uma expressão de um espírito. Quem serão todas aquelas formas femininas? Talvez sejam um passeio pelo desejo pulsante do artista pela vida. Ou uma vontade da forma e da figura de aflorar, se libertando das catacumbas do esquecimento. As Belas Artes estariam revoltadas??? Já o descaso com a cultura este sim é revoltante. Penna abriu seu arquivo, uma velha pasta, onde adormecem antigos desenhos e pinturas e disse, algo assim: - “ Eu não sei o que fazer com isso, a quem destinar.” Homens de ombros largos gravados em giz de cera, paisagens e um desfile de técnicas tomadas pelo pó. Arte engavetada por falta de espaço de preservação. Esse é o mundo descartável.

Fernanda Blaya Figueiró  

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