Nunca antes foi tão
necessário aplicar uma pena exemplar
Estamos assistindo, no
cenário nacional, ao julgamento do Mensalão, um dos mais perigosos
jogos de corrupção que a nossa sociedade já viveu. Marcos Valério,
José Dirceu e companhia já tinham caído no esquecimento, ninguém
mais lembrava deles, porque o povo brasileiro quer a paz e a
prosperidade. Aqui são aceitas as diferentes religiões, os
diferentes pensamentos políticos, as diversas etnias e culturas,
todos vivemos bem. Então a corrupção acaba de alguma forma sendo
esquecida, não sendo punida. No Brasil são punidos os “ladrões
de galinha”, traficantes, assassinos, infratores que se criam a
margem da sociedade, por questões financeiras ou morais. A corrupção
não é combatida nem punida, acaba ficando um crime menor, do qual
muitas pessoas participam pela sua “normalidade”. “Todo mundo
faz assim!!!' então não é algo errado. A esposa de um “suposto
criminoso” tentou na semana passada subornar um Juiz de Direito e
isso virou notícia. Me peguei pensando: será que ela não levou o
suficiente? Olha só o absurdo. Nossa mente está tão contaminada
que ao invés de ter ficado orgulhosa do Juiz que não se corrompeu,
instintivamente pensei que algo no “esquema” não tinha sido
feito certo. Logo em seguida me envergonhei de ter pensado assim. Mas
este pensamento reflete uma coisa bem mais profunda, estamos
duvidando que haja entre nós pessoas do “Bem” , estamos
aceitando que a corrupção tem ganhado o jogo, que o errado está
triunfando sobre o certo. O Povo Brasileiro é composto de uma
mistura de povos que já passaram por terríveis guerras e que por
isso preserva a Paz, muitas vezes “fechando os olhos” para
algumas realidades distorcidas. Por isso acredito que este julgamento
pode mudar pacificamente a forma como as pessoas irão agir e pensar.
Se essas pessoas que usaram seus mandatos, o direito de falar e agir
em nome do povo, para comprar votos, corromper e ser corrompido,
forem punidas, sendo responsabilizadas por seus atos, talvez o
cenário político do Brasil mude. A respeitabilidade das
instituições precisa ser retomada, pois com ela vem uma mudança na
base da sociedade. Se os “medalhões” forem punidos , as
“medalhinhas” vão entrar nos eixos. Se a corrupção vai acabar,
duvido muito, mas vai voltar para uma porcentagem bem menor, já que
a sociedade vai continuar sendo uma sociedade humana, com seus
defeitos e qualidades. Ninguém age contra si mesmo se souber que
haverão consequencias, se essa moça, esposa de um “suposto
bicheiro” soubesse que seria presa ela teria pensado melhor. Se
esses políticos que estão sendo julgados soubessem que seriam
punidos teriam pensado em seus atos e no que eles representam. A
certeza da impunidade, que culturalmente se instalou no país levou
a essas distorções. Eu pergunto quem de nós nunca jogou no
bicho??? Jogar no Bicho é crime??? Tenho um antigo texto em em
determinado momento o personagem diz: “ Nada é mais sério no
Brasil do que o jogo do bicho”. Todo mundo sabe que se jogar no
bicho e for premiado será agraciado com o prêmio, sem “sujeira”.
Não seria aceitar a “normalidade da ilegalidade do jogo do bicho”
a mesma coisa que aceitar que “compra-se juizes” “compra-se
votos”, “compra-se eleições”... “compra-se maconha”
“compra-se craque( a droga)” “compra-se resultados de partidas
de futebol”... Tenho que terminar esse texto porque ele se
autodestruirá em alguns minutos. Parece que hoje vai dar zebra na
cabeça. Brasil vamos deixar a hipocrisia de lado e virar o jogo, não
vamos mais aceitar a corrupção em nenhum nível. Respondendo a
minha própria pergunta eu nunca tive a coragem de jogar no bicho,
sabe porque? Porque eu fui criada durante a ditadura e tinha medo
dessas coisas. O meu medo é irreal e exagerado, o que não é nada
saudável, mas um pouco de medo ou de respeito é fundamental para a
sobrevivência. Porque não tenho receio de escrever estas coisas
todas? Porque ninguém lê no Brasil.
Fernanda Blaya Figueiró
5 de agosto de 2012
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