Educação: Mais compreensão e menos drama!
Os problemas da educação popular não são de hoje e muito menos só brasileiros. O desafio de educar a maior parte ou até a totalidade de um povo são antigos e altamente complexos. Começando pelo mito de que todos devemos aprender as mesmas coisas? Será mesmo que isso é verdade? Não que eu queira dizer que algumas pessoas não devam receber educação formal, mas que a educação formal deve se adaptar as diferenças e as características das comunidades. Algumas realidades são tão duras que não permitem o mesmo aproveitamento do que outras. A criança que vive em um bairro que convive com violência doméstica, criminalidade, falta de recursos financeiros, falta de comida, amor, saúde, segurança, não vai tirar da experiência de estar na escola o mesmo proveito que um aluno que tem em sua vida estes itens atenuados. Uso esse termo porque todas as crianças de uma forma ou de outra tem seus desafios, assim como todas as comunidades. Acho que os números do desempenho escolar estão alarmantes, em parte, porque uma nova camada social está sendo incluída no sistema formal. Com os programas de assistência do governo, alunos que antes evadiriam, acabam ficando na escola, isso diminui a média, sim. Mas, alguma coisa boa estes alunos estão aprendendo. Talvez seja preciso estratificar os números, sem criar “monstros de discriminação”. O importante é que a escola saiba como trabalhar com esse aluno que vem com menos condições para o aprendizado e como não prejudicar o aluno que consegue estar acima da média, dando a ele reais condições de competir com os alunos de escolas particulares ou de escolas públicas de bairros mais estruturados. E também de vencer um pouco a ingenuidade e criar boas oportunidades de emprego e renda para a parcela da população que por alguma circunstância não tem tanto conhecimento teórico. É preciso criar “cursos” de qualificação também para tarefas mais práticas do que abstratas. Voltando para a minha própria formação nunca fui uma aluna exemplar, sempre tive dificuldades, principalmente em português, mas tive bons professores que acreditaram em minha capacidade, claro que tive também professores preconceituosos e que não tinham paciência de esperar pelo meu tempo de aprendizagem, que nunca foi dos melhores. Uma vez lembro de ter ido ao aniversário de quinze anos de uma amiga e todos os convidados escreveram mensagens para ela, eu também, como convivo com a disortografia, cometi um erro de português, minha amiga pegou o livro e mostrou a uma outra pessoas e as duas desataram a rir, fiquei “roxa de vergonha”, disfarcei um pouco e fui embora da festa. Mas não desisti de continuar escrevendo, nem de seguir estudando, para minha auto-estima foi péssimo, mas não acabou com ela. Trinta anos depois desse evento sou uma escritora, continuo tendo problemas em alguns momentos, como os “gagos” se eu estiver muito cansada, irritada, distraída, sob pressão ou muito criativa erro muito mais. Hoje opto por continuar escrevendo e corrigindo assim que encontro o erro, ou passando meu texto para um revisor, o que raramente faço, pois para mim as vezes a revisão interfere no sentido do texto. Algumas pessoas gostam do que escrevo outras não e eu entendo que isso é um direito delas. Mesmo com todas as minhas dificuldades iniciais hoje consigo ser ouvida e respeitada na minha comunidade e tenho um padrão de vida ótimo. Minhas amigas que eram bem melhores do que eu, na época, optaram por diferentes profissões e cada uma tem o seu valor e a sua função num contexto maior. Não vivemos uma sociedade só de doutores, tem lugar e espaço para todo mundo e demanda de diferentes “competências”, até para os loucos tem um lugarzinho. Fiquei preocupada com o discurso derrotista de algumas pessoas diante de alguns números, a educação brasileira precisa melhorar? Sim! Mas muita coisa boa tem sido feita também. A educação vai melhorar seus índices quando toda a sociedade melhorar. Não antes e nem depois, junto.
Fernanda Blaya Figueiró
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