Exercendo
a cidadania
Prezado
candidato como o senhor pretende combater a corrupção em seu
governo? Estava preparando algumas perguntas para um debate que
pretendemos fazer, no município em que moro Viamão, sobre as
proposta dos políticos locais para a cultura. Mas acredito que a
coisa que mais tem incomodado o eleitor brasileiro é a corrupção.
Sabemos que é quase impossível acabar com ela, mas ela pode ser
“domada”. Quem sabe se neste período de eleições municipais
não é possível um tipo de movimento de conscientização de
eleitores e candidatos? Os políticos estão conseguindo se tornar
figuras abomináveis, como personagens malvados de novela, mas são
um “mal necessário”. Alguém tem que se dedicar a gestão das
coisas públicas, a servir a comunidade. O que aconteceu para que a
classe política ficasse tão desgastada? A pergunta incomoda, porque
a resposta leva a tomada de consciência do tamanho da corrupção e
do descrédito dos governos. Quem sabe se as pessoas voltarem a se
envolver com a política as coisas não melhoram. Não com a política
partidária, mas com a política como a atuação de cada um no meio
em que está inserido. Qual a sociedade que queremos, o que está bem
e o que precisa melhorar? Todo o cidadão tem direito a pensar sobre
isso, refletir, discutir, perguntar, buscar informações. Agora é a
hora de perguntar porque a senhora ou o senhor quer ser vereador ou
prefeito? Quais os seus objetivos, qual a sua visão? Talvez assim a
sociedade ajude os próprios candidatos a clarearem as suas mentes.
Será que ela ou ele sabe o que tem pela frente, os desafios,
compromissos, a responsabilidade? E o seu compromisso com o partido
qual é? Pode parecer uma grande tolice este texto, mas não há mais
filosofia, sociologia nos programas de ensino. As convenções
políticas são quase “campos de batalha”, são marcadas por
conchavos mais do que por discussões e depois de eleitos parece que
alguns políticos se isolam, blindados por uma parede de “aliados”.
O senhor Tiririca levantou uma verdadeira realidade, muitos
candidatos não sabem o que estão fazendo, nem o que espera por
eles. Bem como o cidadão também não sabe mais exercer a sua
cidadania. Mas aos poucos a realidade pode ser modificada. Acho que o
Brasil está vivendo realidades que outros países já viveram,
lembro que quando eu era pequena a Itália era dominada pela mafia,
que matava juízes, mandava e desmandava. Mas depois isso foi
mudando, pelo menos para quem olha de longe. Outro dia assisti a um
programa que falava que as cidades norte americanas já tiveram
“cracolândias” e já tiveram bairros que “morreram”
dominados pela violência e que isso foi superado. Então acredito
que o Brasil ainda vai atingir níveis melhores de desenvolvimento
ético e não será preciso uma atitude muito drástica, basta que
professores ensinem, médicos curem, advogados defendam, pedreiros
construam, políticos administrem bem as coisas públicas. Aos
artista sobra o papel de criticar, sonhar, mostrar a sociedade sua
face.
Fernanda
Blaya Figueiró
26
de julho de 2012
Comments