Saudade



Sentimento ambíguo

A Bessie, nossa cachorrinha estava muito velinha e precisando de muitos cuidados então passei a ter sentimentos e sonhos estranhos. Queria tê-la para sempre comigo, mas não queria mais vê-la sofrendo, com dor, com dificuldade para andar, comer, beber, levando “tombos” a toda hora, precisando de ajuda o tempo todo, chamando no meio da noite e sem a a possibilidade de falar, só com o olhar e o latido rouco de quem tem pouca força. Há algumas semanas sonhei que havia enterrado uma pessoa viva, noutras que não conseguia respirar. Acho que isso é normal e hoje encontrei um artigo sobre esse “luto antecipado ”http://revistaseletronicas.pucrs.br fiquei contente pois relata sentimentos e pensamentos que eu tive. Não por um ser humano, mas por um cão. Amor é amor, não sei se há separação entre ser humano amado ou ser vivo amado. A hora mais complicada para mim não foi o sepultamento, foi a hora de dar comida aos outros cães. Tem um pote a menos para servir. Uma caminha a menos para arrumar. E a sensação de alívio por ela não estar mais sofrendo e a culpa por esta sensação, foi substituída pela amarga realidade de que ela não está mais aqui. Como a Drª Cristina estava junto e atestou então sua morte foi real, não foi enterrada viva, com meu sonho me atormentava. Esse encontro com a “dona morte” sempre nos lembra que ela vem para todo mundo, mais cedo ou mais tarde. Com dor e um longo padecimento ou repentinamente. Quem fica aqui tem que aproveitar o sol, por aquele que partiu e não pode mais. Tem que “latir” para dizer: - Estou vivo, não enterrado vivo. Achei que não deveria escrever sobre isso, mas outras pessoas podem aproveitar o texto, nem que seja para achar que é uma grande asneira e um sentimentalismo bobo. Que pensem!

Fernanda Blaya Figueiró 

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