O Ciclo da Vida
Esta semana fui ao
Cartório de Viamão para encaminhar alguns documentos, estava na
fila quando surgiu entre dois senhores o tema do “dia das mães”.
Um disse: “Minha mãezinha, que Deus a tenha, não está mais entre
nós". O outro respondeu algo assim: “Pois olha! Preste a atenção.
Quando eu nasci me colocaram no colo da minha mãezinha e ela veio a
morrer no meu colo. Veja bem como são as coisas.” Seu Moacir que estava ali, do outro lado do balcão disse, mais ou menos: “ Isso daria uma novela, colocando
algum recheio, um pouco de lingüiça no meio, alguns desencontros e a novela estava
pronta”. Fiquei pensando que deveria escrever este testemunho,
depois achei que seria meio “fofoca”. Mas se eu não escrever essa
bela metáfora pode acabar sendo esquecida, não sei os nomes dos
senhores que travaram este diálogo para dar o devido crédito, então vou registra aqui nestas páginas a minha impressão, já a verdade
teria que ser buscada lá no cartório, lugar certo para as verdades.
Os textos de ficção são uma mistura de verdades e de
interpretações. O mais belo dessa história não tenho como passar, o olhar do
senhor e a suavidade de sua voz ao falar de sua “mãezinha”
provocaram uma breve comoção digna de um grande momento poético.Tudo isso entre um ou dois minutos, num local público , na fila de
espera.Os dramas acontecem o tempo inteiro. Quanta coisa aconteceu
entre estes dois atos: a mãe ter recebido no colo a vida do filho e
o filho ter entre os braços a hora da passagem da mãe. O amor!
Talvez ele só tenha percebido o peso do amor de sua mãe na hora da
passagem.Às vezes os filhos não percebem a fragilidade da vida e
nem as mães. O momento mágico do primeiro abraço, de ouvir o
primeiro chorinho e o sopro mágico de Deus. E o desprendimento do retorno a ele. O que
acontece entre estes dois momentos é único para cada ser vivo. Com
este pequeno testemunho desejo um “Feliz dia das mães!” para
todo mundo, que tem ou teve sua mãezinha consigo em algum momento da
vida, nem que tenha sido só o tempo mágico de gestação.
Fernanda Blaya Figueiró
12 de maio de 2012
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