Crônica : Pensamento acelerado


Pensamento acelerado

Hoje estou com a sensação de que meu pensamento está acelerado, pesquisei sobre isso e aponta para um monte de coisas entre elas stress. Acho que abordei assuntos muito polêmicos ultimamente e este tipo de assunto traz uma gama de dicotomias e sentimentos estranhos. Um assunto polêmico é permeado de versões e de possibilidades e fica muito longe de uma  unanimidade, acredito que isso acontece internamente também em quem se dedica a pensar. Pensar cansa! Pode parecer absurdo mas não só os grandes, os pequenos pensamentos podem levar a uma sensação de fadiga. Não que eu seja uma pensadora, mas sou uma pessoa que se atem aos seus próprios pensamentos e os alimenta.
Estou pensando em  uma  frase que eu sei que é incômoda,  que vai trazer aborrecimentos, mas gostaria de libertar as minhas ideias,(ou minhas minhocas), não que eu tenho muita certeza de que isso é correto. Já ouvi dizer que o melhor para evitar uma cadeia de pensamentos seria reprimi-la logo que aponte. Só que ideias reprimidas tendem a voltar. Talvez seja bobo e enfadonho este “pensar em público”. Com certeza é uma exposição desnecessáia ou talvez imprescindível para a escrita. Bom a frase é : “ As tentativas de uma sociedade comunista fracassaram por se parecerem com a sociedade da escravidão!” . Joguem as pedras! O comunismo que aconteceu até os dias de hoje foi totalitário, militarizado e fracassado. As pessoas que viveram e ainda vivem nestas sociedades trabalhavam por obrigação e sem estímulo nenhum, trabalham  à força, por coação, pelo menos é o que aparenta. As pessoas precisam ter a ilusão da propriedade, seja ela de um bem, de uma ideia, de seu próprio corpo, de seu trabalho, seu pensamento, sua arte, seu tempo. O Comunismo e a escravidão retiram do sujeito esta sensação de pertencimento, de posse e de liberdade. O capitalismo também, só que investe na ideia de que pelo seu próprio esforço e possibilidade de escolha o sujeito molda o seu mundo, escolhe quem vai ser, como e até onde pode ir. Isso é ilusão e ao nos defrontamos com as barreiras da realidade estamos vivendo submersos num sentimento de incapacidade e frustração. Com certeza alguém já deve ter escrito sobre isso e talvez eu já tenha lido sobre isso. Ou escutado esta frase. Mas para mim esta ideia se apresenta como minha, que bobagem. Se é uma hipótese plausível? Talvez seja, assim como pode ser simplesmente uma distração de uma mente cansada e suscetível a divagação. Ser dono, ser proprietário de algo dá orgulho e um falso sentimento de superioridade, de construção. Eu estou modificando o mundo com a minha ação, eu estou fazendo parte do mundo com a posse de algo. Eu tenho!É preciso mudar isso. Ter é bom, crescer é importante, mas não é tudo, não é preciso ter tudo ou ter sempre mais. Uma hora é preciso parar e usufruir. Acho que este texto não servirá para nada, só para ordenar o meu próprio pensamento, pois a sensação de aceleração já passou, momentaneamente. Tenho evitado passar todos os meus textos pois os poucos leitores que tenho já estão cansados. Então publico e jogo ao Universo sem a preocupação com receber o retorno. Claro que tudo retorna eternamente, mas talvez não imediatamente. Outra coisa um pouco absurda, tenho tentado imaginar como o texto é recebido pelo outro, essa é uma verdadeira “paranóia” porque o texto pode causar várias coisas, inclusive a indiferença. Não é porque outras pessoas podem se magoar que tenho que deixar de pensar livremente sobre algo. Livremente não é bem o termo. Nenhum pensamento é livre, ele é condicionado a vários fatores e a pré requisitos. Viu como uma cadeia de pensamentos não é algo linear é mais próximo da divagação do que da reflexão... Tenho assunto para mais horas de monólogo mas vou para por aqui.

Fernanda Blaya Figueiró
16 de abril de 2012  

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