Cachê do Gabriel
Pensador
Fiquei sabendo pelo
telejornal que o cantor e escritor Gabriel Pensador receberia cento e
setenta mil reais para ser o patrono de uma feira do livro, fazendo um
show e a venda casada de livros, contratado pela prefeitura de uma
rica cidade gaúcha: Bento Gonçalvez. Os outros escritores
“gritaram”, com razão, devido a grande diferença entre os seus
cachês e o do astro da literatura. Para mim a única pergunta que
cabe é se este valor todo seria realmente para o artista, se assim
for não vejo problema, a prefeitura usou o dinheiro público para
bancar a vinda de um grande nome, isso acaba soando como normal.
Agora o problema sério seria se o “contrato” fosse duvidoso,
talvez o artista nem tome conhecimento disso, mas alguns “agentes
culturais” compactuam com a corrupção, dando recibos em valor
diferente para “molhar a mão de alguns”. Isso assusta e
preocupa, pois o país inteiro está debatendo a corrupção e
tentando acabar com ela. O Pensador veio e vai se apresentar sem
cobrar cachê, então a “gritaria” resolveu, mas ele saiu
prejudicado. Parece que durante a Feira do Livro de Porto Alegre há
um piso, todas as atrações pagas recebem o mesmo cachê, os não
pagos se apresentam voluntariamente, pelo prazer de ter um espaço na
feira.
Existe uma disparidade
de remuneração entre um jogador de time do interior e um grande
jogador, ou no cachê de um astro internacional e um nacional. Assim
como a hora de um médico famoso é muito mais cara do que a hora de
um iniciante. O metro quadrado num bairro de periferia custa três
vezes menos do que nos bairros nobres. É a nossa realidade: cobra
quem pode, paga quem quer. O que estraga este “mercado” são as
fraudes. São noticiadas fraudes em todos os setores da nossa
sociedade e isso leva a desconfiança,a literatura não esta livre
dessa realidade. Porém houve uma terrível inflação nos “serviços
prestados”. Eu gostaria de saber quanto custava uma apresentação
dele há dois ou três anos? E se este inflacionamento tem base real.
Pelo menos tem alguém ganhando para escrever e se apresentar, isso é
bom, o dinheiro não fica só no futebol.
Pimenta nos olhos dos outros não arde, acho que os escritores estão certos em gritar, a pimenta foi nos seus olhos, assim uma hora todo mundo vai ser mais respeitado grandes e pequenos escritores. Que isso sirva de alerta também para os "Prêmios Literários" e outros valores e títulos que acabam sempre nas mesmas mãos.
Fernanda Blaya Figueiró
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