Aborto - O Germe da
Autodestruição
Todo organismo carrega
em si o “Germe da autodestruição”, não apenas o Capitalismo,
os as religiões, as ideologias. Como diz o clichê : Todo nascimento
leva indubitavelmente a morte. A menos que seja abandonada a ideia
de nascer e morrer. Agora é fato: o aborto no Brasil é permitido, em
três casos, cabe a médicos e mães e os pais? Se um homem
engravidar uma mulher e não quiser o feto, como fica? Ouvi uma
reportagem falando sobre o quanto na Europa e nos Estados Unidos este
“Tabu” já foi vencido. Parece que lá todos os problemas
existenciais já foram resolvidos, nossos evoluídos colonizadores
devem estar nadando na felicidade, por isso as notícias de lá são
tão belas. Voltando a “vaca fria”. Ah! lá na evoluída Europa
parece que ninguém come vitela, porque é uma barbárie, nem vaca
louca. Lembro que quando era criança achava horrível a mitologia romana, grega, egípcia pelas imagens de pais devorando os próprios
filhos, sempre tive muito medo de Cronos. Esse Deus com medo de ser destronado - parece que antes havia castrado o próprio pai, a pedido da mãe - devorava os filhos assim que nasciam. Parece que Saturno fazia o
mesmo, bem como o humanissímo Herodes que mandava matar crianças
inocentes por medo de perder o poder. Agora são as mulheres que por
medo de perder o poder, a carreira, um corpo delineado e sedutor,
eliminam os próprios filhos. Depois dizem por aí que a humanidade
anda evoluindo a passos largos. Atualmente os filhos, que conseguem
nascer, dominam seus pais. Vivemos o reinado das crianças, o
Filharcado. As crianças ainda não mantém as famílias
financeiramente, a não ser alguns ricos astros infantis, mas decidem
como o patrimônio familiar vai ser administrado, o que a família
come, o que veste, onde serão as férias da família, em que bairro vão morar, etc... A mídia
despeja “desejos de consumo” neles . Os filhos muito planejados
são verdadeiros reizinhos, são poucos, ocupam toda a atenção da
família e são incontestáveis. Deles se espera que sejam belos,
inteligentes, bem sucedidos, atléticos...Pobrezinhos! Lembrei de uma cena do
filme “Estão todos bem”, em que o Pai diz algo parecido com: - "Crie os filhos para não serem ninguém." É preciso criar os filhos.
Só criar. Passe os seus princípios e crenças e não espere que
eles aceitem tudo passivamente, nem que sejam melhores ou piores do
que nós mesmos.Eles são donos de si mesmos.A família é um lugar
de coexistência, para mim há um ponto de convergência, enquanto a
família está reunida e um ponto de divergência na individualidade
de cada um. Cada membro da família tem a sua própria história e a memória
coletiva, que é um espectro de lembranças deturpadas. Eu pensei em escrever um poema sobre a maternidade como um
ato de amor, mas todo ato de amor pode se tornar também um ato de ódio. Ou
talvez uma fonte tanto de esperança quanto de frustração, pois ao
dar a vida se dá junto a morte e morrer é natural. Por isso eu
continuo acreditando que existe uma vida anterior e uma posterior a
este lapso de tempo, Cronos, que nos dá a possibilidade da vida e
também nos tira ela. O tempo é nosso germe de autodestruição e
atingi a tudo o que o ser humano cria, seja uma vida ou uma ideia de
vida.
Fernanda Blaya Figueiró
14 de abril de 2012
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