Poema - Como a seca


Como a seca

as múltiplas faces 
da sociedade
da saciedade

nada de novo
no horizonte
estamos quase
no final do
segundo mês de
um ano muito esperado

vivemos uma seca
das mais antigas e
a colheita vai ser fraca
a velha tradição do dinheiro e
propriedade mudando de
mãos

as gentes que anseiam pelo fim
do capitalismo estão contentes
como se iludem
um sistema tão sólido não
há de cair tão facilmente
sem resistência
sem dor e sangue

ao que tudo indica o
dia que acabar
será substituído por algo
tão ruim quanto
ruim para uns
bom para outros

estéril para uns
fértil para outros

não tem como ser bom
para os interesses de todos
como a seca

Fernanda Blaya Figueiró
19 de fevereiro de 2012 

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