Mudar as regras do jogo no meio do campeonato dá confusão

Quando mudaram o edital do concurso Moacyr Scliar eu fiquei muito furiosa, depois achei que poderia ter exagerado na minha reação. Ao assistir as confusões no Carnaval de São Paulo, fiquei muito aliviada, minha reação foi humana. Agora imaginem a decepção de todos aqueles que estavam esperando o resultado do carnaval, quanta energia envolvida, quanto dinheiro em jogo e substituem-se dois jurados na véspera da competição. Carnaval, literatura, futebol, concurso de miss, festival de música, de dança, de capoeira, de bolinha de gude, nada disso é brincadeira. As pessoas investiram tempo, dinheiro, energia, sonhos para produzir um grande espetáculo, que foi transmitido para o mundo todo e alguém decidi brincar com o povo. Com o povo não se brinca! Bola paro mato que o jogo é de campeonato! O velho ditado popular cabe direitinho a toda esta confusão, erraram os torcedores, errou o rapaz que estraçalhou os documentos, sim, mas o furo é mais embaixo, errou quem tomou decisões levianas. Ser convidado para ser jurado é coisa séria, criar regras é coisa séria, fazer um acordo é uma coisa séria. Pessoas foram presas, patrimônio foi queimado, o tumulto se generalizou. Sabe o que fica disso tudo? As pessoas estão cansando da corrupção. É preciso ouvir isso, ver estas atitudes e sentir que está passado da hora de enfrentar a corrupção de frente. Existe uma constituição é preciso respeitá-la. Existe uma norma é preciso cumpri-la. Existe uma exigência é preciso preenchê-la. Se quem deveria fiscalizar e acompanhar estas coisas se omite, a bagunça toma conta. São Paulo tem uma Escola Campeã que foi prejudicada por não poder comemorar e todas as outras prejudicadas pela dúvida. Todo mundo saiu perdendo.

Fernanda Blaya Figueiró
22 de fevereiro de 2012 

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