Ferreira Gullar é o primeiro vencedor do Prêmio Moacyr Scliar


Ferreira Gullar é o primeiro vencedor do Prêmio Moacyr Scliar


Fiquei muito feliz com o resultado, apostei no cavalo certo. Bom, para quem não sabe sou uma poetisa independente, nova, aos quarenta e três anos, nova na arte da poesia. Nova na escrita, velha leitora. Acho que foi maravilhoso que um grande poeta tenha sido reconhecido. Mas, vou registra aqui meu protesto, já escrevi sobre isso, quando saiu a notícia do concurso fiquei com “um pé atrás”. Minha poesia não se dá bem em concurso participei de dois ou três e me desiludi. Um poema meu “A fonte do desejo” foi mal classificado num concurso, de uma pequena editora. O outro, inscrevi no prêmio Lila Ripol há a alguns anos e quando recebi o livro percebi que minha poética não era alinhada com o que estava ali fiquei triste por não ser classificada, mas contente por ter um poema diferente. Eis este antigo poema:

Sonhos! 


Linhas cruzadas 

Indo e vindo 

Sou aquele que sempre esteve 

Sou aquele que nunca vai 

Meus ossos saltam miséria 

A feiúra de minha face assalta 

Só pedi um sorriso 

Um único sorriso 
Negando 
Júlia 
Eternizou meu 
Suplício 



Tenho a data de dez de julho de dois mil e sete. Este poema aconteceu, fui ao Parque da Redenção com minha filha e cruzamos por uma pessoa esquálida e, não sei bem porque, ele olhou em minha direção e sorriu, como se encontrasse um velho conhecido. Atravessávamos a rua e meu instinto me fez baixar o olhar. Vi seu “desmoronar” , escrevi o poema e entendi que só diz respeito a duas pessoa eu e ele. Depois inscrevi um outro poema sobre Fernando Pessoa “Dentro e fora” já sabia qual seria o resultado, mas fiquei compelida a escrever e inscrever. Buenas, como diz o gaúcho, encurtando o causo, quando saiu o Prêmio Moacyr Scliar, do IEL_RS, a tentação foi grande, um prêmio de cento e cinquenta mil reais mexe com a imaginação ou com os sonhos e desperta alguns desejos. Pensei, depois de receber inúmeras vez o edital, em inscrever meu livro “Arquivo poético”. Havia uma exigência, o “Depósito Legal” da obra, conforme lei, o meu livro tinha. Pois o edital do concurso foi modificado e esta exigência retirada. Fiquei muito ofendida e me senti enganada, pois a mudança parecia feita “sob encomenda”, reclamei ao instituto e recebi uma resposta dúbia. Pedi um parecer ao Ministério Público e recebi a resposta

  Ausência de ilicitude nessa
decisão administrativa, uma vez que o depósito permanece obrigatório por força 
de lei, 
apenas não mais como pré-requisito do certame especifico".

E um prazo para recorrer.
Resolvi que para mim o assunto terminava, mas fiquei muito chateada, deprimida até.
Escrevi para o IEL e solicitei a anulação da minha inscrição.

Quando saiu a lista conferi se meu pedido havia sido acatado e descobri que sim, para meu alívio.
Mas logo no" F"
esta Ferreira Gular, pensei: temos um vencedor. 
E torci para que ele fosse contemplado com o prêmio. 
Não sei se seu livro tinha o tal “Depósito Legal”, mas certamente deve ser um ótimo livro. 
Meu sentimento sobre isso coloquei no papel em dois poemas e
algumas crônicas. 
Fico feliz pelo desfecho, mas acho que na próxima edição do concurso, de contos, as regras devem ser 
claras e cumpridas. Mudar as regras com o jogo em andamento fere a ética. 

Quanto a literatura gaúcha? Não sei o que pensar. Sei que todos os escritores
 independentes não fazem 
parte dela, são a gordura que bóia na tampa da leitura, ou melhor da leiteira, o 
que fica na peneira e essa,
 meu filho, é a nata, que faz a manteiga, que engrossa o molho. A Literatura 
Gaucha é feita de leite 
pasteurizado, não tem lugar para nata batida. Acho que devemos nos esconder e ir para casa com o 
"rabinho entre as pernas", como guaipecas que somos. 
Não se preocupem, ninguém lê. Essa crônica vai ficar aqui mofando. Para que eu 
lembre de nunca, nunca
mais inscrever nada meu em concurso nenhum, mesmo que a “cenoura” seja
gorda como esta.
Fernanda Blaya Figueiró
Vício de origem


O que estava soterrado

Apareceu na beira do Grande Rio 



Ao encontrar a luz do sol

O corrupto corpo 

Incomodou só um

Pouquinho

Cheirava mal



Deixa pra lá e 

Feche a porta que a

A festa é privada

Nesta corrida 

Ganha sempre o mesmo

Cavalo 



A pedra que havia

No caminho era a mesma

Que jogaram no 

Passarinho




Fernanda Blaya Figueiró 


Meu Repúdio



Dedico este poema a todos os corruptos!



                                                                                                                                                  “De ferro,



de encurvados tirantes de enorme ferro tem de ser



a noite, para que não a estourem e destampem



as muitas coisas que meus abarrotados olhos viram,



as duras coisas que insuportavelmente a povoam”...



Jorge Luiz Borges , poema insônia , livro: “o outro, o mesmo”






Não valem o meu sono !!



Perdi a batalha no campo da lei dos homens









É meu vermelho e denso sangue



Que estes vermes querem









Saibam que eu sei



Eu sei



Quem são eles



A escória









As portas de dois



Mil e



Doze









Como demorei pra perceber









É o Fim do mundo que se aproxima









Que venha!

Poemas publicados no E-book Poemas do Deserto, neste blog. 




Fernanda Blaya Figueiró







Comments