“Dores da Colômbia” ? E a Bahia como vai?


“Dores da Colômbia” ? E a Bahia como vai?

Esta semana assisti a uma exposição maravilhosa de obras do artista plástico Fernando Botero, no Centro Cultural Erico Veríssimo CEEE. Acho que a população deveria prestigiar este momento singular para a cultura gaúcha. Entrei por acaso, ou melhor por um cafezinho e fiquei surpresa com a exposição, confesso que não sabia nada, nem da obra, nem do seu autor. Mas o que é bom é bom! Bom pela qualidade artística e de denúncia.
Conheço poucos colombianos, mas quando se pergunta por seu país costumam sacudir a cabeça, surpresos e constrangidos: - Não vai bem. E a possibilidade de diálogo fica concluída e parece que a exposição diz: - Não vai bem! Colômbia pra mim é Ajiaco, alegria, música... Ficamos sabendo os horrores que acontecem e que aconteciam por lá como quem ouve falar de um vizinho que mora longe e com o qual nos solidarizamos, mas só até o ponto de virar a página do jornal e trocar de notícia.
E a Bahia como vai?- Não vai bem, teríamos que responder. Eu nasci em 1968 então só sei os fatos que levaram o Brasil a uma onde de opressão, tortura, cerceamento dos direitos, da liberdade por ter nascido nela, não por acompanhar os fatos que levaram a ela. A polícia são os homens de bem, o lado forte do BEM, polícia não pode assustar, intimidar, matar inocente, enfrentar o Estado, ela é o Estado... Polícia tem que proteger, seja ela civil ou militar, de um governo de “direita ou de esquerda”( acho que isso não existe mais). Ver a polícia sendo “Bandida” fere os olhos do povo. Assim como a obra do artista colombiano fere o olhar, pois a morte cavalga corpos saudáveis, homens, mulheres e crianças, no meio de muita luz e cor. A morte, domina a vida, elimina a esperança e triunfa nos quadros. Vamos até o centro de cultura olhar para isso e lembra que a Dor da Colômbia é a dor da América. Os sequestros, execuções, torturas, aconteceram e acontecem pelo mundo todo, nós não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar nossa cidade, nosso País, nosso vizinhos.
Ditadura, nunca mais! Acho que os governos deveriam fazer um “Programa de Demissão Voluntária”, com incentivos para que o policial que quer deixar de ser policial deixe, saia da corporação por vontade própria. Além de um programa de valorização do policial que quer ficar, com salários dignos, bons equipamentos, segurança para trabalhar, treinamento e politicas de restabelecimento da confiança da população para com estes servidores públicos. Na minha humilde opinião a ditadura de Fidel, em Cuba, é tão medonha quanto a que vivemos aqui no Brasil de 1964 a 1985, não difere da ditadura de Kadafi ou de qualquer outra. O que esperamos de um governo democrático é que seja firme mas justo e neste sentido acho que a fala da Presidente Dilma sobre a greve foi perfeita: “Estou estarrecida!”.. “ É preciso manter a Ordem, ou teremos uma bagunça”... Não é a frase literal, mas aproximada da fala da presidente.
Gostaria de acrescentar queremos sim a intervenção do Exército para restabelecer a ordem, para manter o Brasil funcionado, para garantir a Soberania Nacional, guardar as fronteiras, pacificar as zonas de conflito, mas como exército e nunca mais como governo. É muito saudável para o país ouvir da presidente, que um dia foi revolucionária, que a ordem precisa ser restabelecida, como foi no episódio da invasão da Assembléia Legislativa da Bahia. Está mais do que na hora da população civil voltar a confiar nas forças armadas e de entender qual a sua função. Assim como está na hora das polícias se entenderem, saber quem são e qual a sua função. Talvez desta crise sai uma grande e produtiva mudança para melhor, com uma tomada de consciência por parte de todas as pessoas. Pois a mesma necessidade de auto entendimento é necessária para as outras profissões. Quem tiver uns minutinhos deve parar e pensar. Eu, como falei no início de texto, não sei bem o que levou ao golpe de 1964, mas estas imagens de motins dentro da polícia, prédios públicos invadidos, conflitos em ônibus, não são boas, parecem reprise de filme ruim.
Fernanda Blaya Figueiró 

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