Crônica: O Artista


O Artista

Ontem assisti ao filme O Artista, amei! Principalmente pelo cachorrinho, os atores são maravilhosos, a forma como o filme é contada também, a música. Mas aquele cachorrinho me fez rir, chorar e
pensar sobre coisas boas e ruins, o que mais se pode esperar de uma boa história? 
Entender e aceitar as mudanças na vida é para mim a grande questão do filme. Talvez aquela risada que o protagonista dá, ao ver uma cena falada, seja a mesma que muitos escritores dão ao ver a transformação que os blogs, redes sociais e outras plataformas, trouxeram e suas possibilidades de mudança na escrita, a literatura mudou. Talvez o mercado do livro esteja em processo de transformação, assim como o do disco na música. Ou como o conceito de quem é "escritor" e o que é escrita artística. Só que sempre tem outra alternativa para “viver” da escrita, da música, da atuação, do desenho, da dança, é preciso inventá-las, basta estar aberto para mudar a sua atuação. Claro que esse processo passa pela “fogueira”, pelo sofrimento, pelo desespero e a salvação pelo olhar do seu melhor amigo. Quem salva o artista, de si mesmo, é o cãozinho. Parece que caiu em desuso o “cuidar do outro”, o estar atento ao outro, parece que foi substituído por um tipo de doença social: o autocentrismo. Nossa sociedade insiste em voltar-se para o “si mesmo”, cada um deve priorizar a si e somente a si mesmo e isso muitas vezes vem com "embasamento científico". Então todos vivem cegos, este é um outro e antigo filme, "Ensaio sobre a cegueira", baseado no livro. Aqui não se está cego, se está mudo. A privação de um dos sentidos é uma metáfora muito usada e de fácil entendimento. O artista e as atrizes são meigos, canalhas, alegres, tristes, estúpidos, egocêntricos, adoráveis,solidários,  humanos. Erram, acertam. O cão é sempre o mesmo: incondicionalmente adorável, supera até o fiel motorista. O “empresário” frio, calculista, maleável, inflexível, visionário,  máquina humana de fazer dinheiro, como tem que ser alguém com este ofício. As coisas mudam, mas permanecem as mesmas. O mundo precisa de todos estes personagens: o guerreiro, o artista, o rei, o comerciante, o religioso, o vilão, o herói, todos servem tanto para mulheres, quanto para homens. Colocaria “O Artista” junto com o “Cine Paradiso”. As vezes é preciso se entregar as emoções e, para mim, o cãozinho consegue romper a bolha e libertar o espectador para ser, por alguns momentos, mais humano. Não ia comentar nada pois acho que cada pessoa tem sua própria vivencia e não comento tudo o que vejo pois acho que fica chato. Mas, faz alguns dias que não consigo escrever poemas, as vezes isso acontece, um bloqueio, então escrevo estas outras coisas. 

Fernanda Blaya Figueiró 

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