Relendo o mundo

Relendo o mundo




O mundo, o mundo

É mundano



Hoje a felicidade é

Um imperativo tão

Poderoso



Responde ela a todos os anseios

Humanos



Que mentira

Que bela mentira



Liberdade, igualdade, humanidade

Fraternidade, solidariedade, justiça



O Imperativo agora é

Imensurável, subjetivo, impessoal


O ouro da nossa era é a

Constante felicidade

Impressa em fotografias

Publicada no complexo mundo social da

Face exposta e latejante


O Ser Humano Coisa

Sorri em todas as fotografias


Está sendo engando e sorri

Está sendo violado e agradece

Está sendo roubado e aplaude


A felicidade impera

No horror

Maquiagem e rendas pretas

Enobrecem a morte



O Vermelho sangue

Banha as telas e a

Explosão dos corpos

Domina os jogos

E isso é pura felicidade

Mate todos seus adversários e

Ganhe um exclusivo ensaio fotográfico com a morte





A face da morte nas revistas e no
Cinema
É  branca, bela e  sedutora



Vende remédios e mais remédios

Exames e fórmulas de combate

Fórmulas de se manter vivo por mais tempo

Quanta felicidade!


Tenho, sim
Uma renda preta
Mas é de Bruxa e
Batizada

É uma renda  de noite
De vez em quando sou muito feliz
Mas nas outras sou muito triste
E tem  até as vezes em  que não sou nada disso




Fernanda Blaya Figueiró

4 de dezembro de 2011

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