Poema - O que melhor eu sei fazer é olhar

O que melhor eu sei fazer é olhar




Olho a “faxina” e penso

Ela deveria se estender

A estados e municípios

Depois penso que se deveria

Ter um sistema comunitário

De controle. Abandono a ideia

Pela lembrança das notícias

Sobre o famigerado Sistema

De Delação que há pouco

Assombrou a Europa



Controle, medo, denuncismo

Levam a opressão

A erros, vingança, tirania



Como então revalorizar a ética e

Diminuir o espaço da corrupção?

Como fazer a sociedade voltar

A ser mais justa sem o uso da coação policial

Ou emocional

Sem um dedo apontado de Deus ou de vizinhos



A América é a filha rejeitada da Europa

Os filhos da América são o excedente

Da população da Europa, da Asia e da África

Esse meu olhar é de espanto, é dos indígenas

É de quem tenta entender o que está acontecendo

Mais de quinhentos anos tem este meu olhar

Atônito



Ser brasileiro é ser este ser Múltiplo

Que nunca sabe exatamente a que memória vai recorrer

É ser aquele que foi arrancado do seio da mãe África

O que foi expulso, pela fome ou falta de oportunidade, da Europa

O que não coube na Ásia

Aquele que estava aqui quando o vento trouxe as caravelas.



Esse é o olhar de quem já viu tudo

Do que sabe que as coisas se repetem

Que dorme de olho na porta e

Ouvido no mato



Esse ser que toca tambor, bebe mate,

Tece renda, atua em todos os palcos

Desempenha todos os papeis.



Quem quer prever o futuro olha para o presente com a luz do passado.



Fernanda Blaya Figueiró

5 de dezembro de 2011

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