Poemas do Deserto II Parte

II Parte da Coletânea
Poemas do Deserto - Coletânea de Poemas de Fernanda Blaya Figueiró

Adeus, Dolores!






Adeus, Dolores!

A Deus um lamento

A Deus a todas as dores

Adeus!



Nunca conheci nenhuma Dolores, em toda a minha vida

Essa expressão me veio como um presente



Imagino uma bela mulher já madura

De olhos negros, cabelo crespo

Pele morena e rosto sereno



Dolores de onde fala

que não a vejo apenas escuto

Afirma

Que a dor da alma não existe

Ela é uma criação humana



Despeça-se de suas dores

De seus lamentos e suplícios



Sorria



Dolores se foi









25 de janeiro de 2011







































Cuide-se





Ter

Ser

Parecer



São ilusões



Projete sua mente

Para fora



Do mundo



Tudo é tão

Perfeito





31 de janeiro de 2011















































Digam de mim

Com o passar das horas
que foi proveitoso
o tempo
perdido
ou
mesmo que
foi improdutivo
Que foi suave
ou irritante

Que minha palavra
era louvável
ou depreciável

Mas nunca
nunca

Despercebida

Peço, humildemente,
A Paz à todos os povos
Com a bênção de

Dona Janaína



2 de Fevereiro de 2011







































Se



a vida da gente pudesse

ter uma trilha



sonora



eu escolheria



Raul

Raul

e

Raul



Sim! Tenho outras escolhas

Muitas até

Só que as outras as vezes doem

entristecem

esvaziam



Raul não



não dá nada



nem tira









02 de fevereiro de 2011



































Entre!



A porta está aberta

seja bem vindo



O caminho sempre está livre

para um bom pensamento



Todas as faces se iluminam

com um belo sorriso



Encontrei um homem velho

que lutava para se manter jovem



Entender a mágica renovação

da natureza facilita a vida



A Morte é um assunto dos

Vivos



Há na minha rua um casal de

pequenas aves de rapina



Ouço de muito longe seu estridente

canto e assisto seus rasantes vôos



Como são bravas as pequenas

presas que delas fogem



Estes combates entre o verde das árvores

o azul do céu e o dourado do sol



Guardam todos os segredos

da vida e da morte



O Homem deveria sorrir mais

a juventude acaba um dia



Envelhecer é um presente

para quem a ela sobrevive









3 de fevereiro de 2011







Tudo o que deixei para depois

Sempre ouvi dizer que não deveria adiar as Coisas
E sempre adiei, por rebeldia?
Não! Por inércia

Adiar ou não
Não faz o menor sentido
As Coisas acontecem na devida hora
No momento em que tem que ser

Não se preocupe com as Coisas da Humanidade
Está certo
Tudo está certo

O que foi deixado para depois
Não vai fazer a menor diferença





8 de fevereiro de 2011


Ano primeiro






Os primeiros anos de um poema

São táteis, sensitivos, inseguros



Os anos que se seguem são alegres

curiosos, desprendidos



Os anos medianos são taciturnos,

problemáticos, monetários



O poema que a tudo isso

transcende vaga livre



Não ensina uma língua

Não preenche lacunas

Não rompe paradigmas

Nem cria novidades



Vive

mesmo que nunca tenha sido









8 de fevereiro de 2011











































A Magia de redescobrir





Um velho amigo meu

ficou muito desapontado com um de

meus poemas



Disse-me ele que estou a falar sobre o

Ovo de Colombo



Oh! Velho amigo meu

Que mal há em

Andar pelas antigas trilhas que

Levam a lugar nenhum



Eu sou velha

muito velha



Por isso digo sempre

as mesmas coisas



Quando era eu uma menina

passou-se algo assim

Tinha diante de meus olhos o mundo e

uma profunda curiosidade

queria saber o que vem depois

como a história continua



Imaginava um belo e meigo amor

um castelo com água fresca e abundante

donde minha descendência floresceria

em meio a uma floresta encantadora

cheia de vida e beleza



Meu velho amigo deve

estar a dar pulos de raiva



Isso não passa de um conto de fadas!

Dirá ele com toda razão do mundo



Perdão, velho amigo!!!! Direi eu







19 de fevereiro de 2011









Abandono



A casa estava tão vazia com

Todas as salas enigmaticamente fechadas

Que estéril fevereiro este

Por onde andam todos?



Todos os quadros

Todas as peças

Todos os livros

Todas as melodias e movimentos



Tudo está suspenso e empoeirado



Que queres?

Uma carta

Não! A partida terminou para mim

Um Café?

Não! Faz muito calor

Um beijo?

Não! Gastei todos



Que estranhas questões guardam os nomes

Você não precisa me escutar

Não restou nada para ser dito

Pouco importa se sou fulana, beltrana ou sicrana de tal

Esse pó na mobília

É testemunha





20 de fevereiro de 2011











































O cactos e o espinho



Há um cactos

que teve sua carne rasgada por seu próprio espinho



Houve um espinho que foi usado para

gravar um nome e uma data em sua própria carne



Haverá um ser humano eternamente preso pelo hediondo

crime de ferir um cactos com seu próprio espinho



Nenhuma história é feita só de protagonistas

os coadjuvantes precisam existir... o lugar de cada um

depende da ótica de quem narra



D...2000 quanto drama em pleno jardim!











23 de fevereiro de 2011













































Anormalidade





A normalidade

não aceita a diferença

por isso os anormais

acabam se encontrando nas

artes que os normais consomem



Como pode alguém consumir arte?





Quero um suco de palavras

Uma entrada de música

Uma torta de idéias e

Um copo de movimentos

Não esqueça de trazer

Servido em uma tela



Que seja tudo muito caro

já que eu posso



Eu não sou a “massa”





24 de fevereiro de 2011



















































Sobre a palavra

A palavra molda
ofende
cria
mata
ama

Não tema toda a palavra que é dita
Sempre existiu

Quando você for cruzar a porta desta vida
para a outra
Não leve nada
E sua passagem sera terna e bela

Fernanda Blaya Figueiró
25 de fevereiro de 2011



Minha mortalha

Meu esquife



Certa vez assisti a um famoso escritor

de quem não lembro o nome

falando para um ginásio lotado de amantes da literatura



Encolerizado ele dizia que os blogs não passavam de

Túmulos internáuticos!!!!!



Amei!



Imaginem uma escritora sem carreira como eu

tecendo sua própria e enigmática mortalha

seu magnífico e talhado a mão esquife



Sua gloriosa tumba perdida no imenso oceano virtual



“Navegar é preciso”...







25 de fevereiro de 2011







Ignore-me





Se isso vai te fazer bem



Mas saiba que eu vou



Continuar existindo



Sei! Ando com falta de



tolerância minha visão turvou



ao ler a manchete imaginei



a mesma conversa fiada de sempre



Quem fala muito sobre a morte



pensa em algo distante e longínquo



não atenta para a diminuição da distância



Quem fala muito sobre viver a vida



pensa que é um caminho contínuo



tenta desesperadamente aproveitar tudo



Por isso os loucos apenas caminham







4 de março de 2011





































Poemas do deserto



I A Consulta



-Sr...?

Jesus Cristo

-Fale sobre o que lhe trouxe até aqui?

Bem! Eu sou filho de Deus... Mas também sou Deus!

-Hum!

Desde de que passei quarenta dias no deserto... ando um pouco confuso

-O que aconteceu no deserto?

O Diabo me tentou três vezes... foi duro... mas agüentei firme... Sede, fome, calor, angústia, medo... Ele tomou várias formas, ofereceu inúmeras coisas... Eu, firme.

-Hum!Humm!!! Fale um pouco sobre sua mãe

Minha mãe?... Não tenho o que dizer... minha mãe me concebeu virginalmente, por intervenção do Espírito Santo, que também sou eu e meu pai, na verdade somos uma trindade santa

-Sei!Assim o senhor é o seu próprio pai???

Sim!Não! Não exatamente... Meu Pai é Ele... Minha mãe recebeu uma mensagem Dele através de Gabriel.

-Gabriel?

O anjo da anunciação.

-Fale sobre Gabriel, sua mãe gostava muito dele?

Gabriel é meio “preferidinho” de todo mundo...

- E sua casa

Minha casa é a casa de meu pai... A casa de meu pai tem várias moradas.. Além disso tem os apóstolos

-Apóstolos, seus discípulos?

Perfeitamente, um deles vai me trair e vou ser entregue ao Império Romano, isso tem que acontecer, mas fico um pouco preocupado... Como se meu Pai fosse me abandonar... O senhor não fala nada. Sigmund?

-Acabou a consulta, marque mais um horário e vou estudando seu caso. Mas prefiro Dr Freud, combinado?





5 de março de 2011















II

Quarenta foram os dias de Cristo no deserto

Quarenta e nove os de Sidarta ao pé da figueira



Primeiro dia de quaresma no deserto urbano

Num canteiro da Praça há uma árvore-toca

Toca uma cantiga andina e crianças cantam em algum outro lugar

O vento desfolha suavemente a emblemática planta

Espalhando pequenas flores e

As cinzas do Carnaval

O verão continua poderoso e ardente enquanto o outono aguarda nas coxias

Velhas fachadas aceitam modernas estruturas e convivem com projetos inacabados.

O mercado fervilha!



Devo advertir que no feriado li Eliot. Tentei ao menos.



Ninguém mais jejua ou faz recolhimento pela passagem no deserto

Mesmo sendo igual a todo mundo vou deixar a areia invadir minha mente

A aridez do sol marcar minha pele e a secura correr minhas veias.



Em uma outra quadra bradava um pregador estranho: Verá! Se você não se converter, a morte. A morte vai lhe alcança... Pobre criatura tentando os passantes ocupados.



Caro poeta, também eu já estive entre os espíritos. Muitas foram as vezes que entre eles estive. Na versão feminina da comunhão com os espíritos a sensação física é de não haver mais limites, precisamente na nuca. Pescoço, ombros e braços perdem a sua definição, viram a abertura para o mundo além do físico, suas linhas não mais são.

É Maria quem fala por mim. São dela as palavras e a luz. Eu, viro ela, ela vira nós. Falo sobre e vejo a pessoa que habita meu corpo físico como uma terceira pessoa, um corpo abandonado. Não! Assim não pode ficar então aterrizo e volto a ser, sem sombra de dúvidas, quem sempre fui. A única dúvida que fica é: este ser que habito a milênios pertence ao mundo dos vivos ou dos mortos? Haverá esta distinção ou essa experiência é continua.



“Como! Tu por aqui?” TS Eliot em Little Gidding /II



Perdão amigo, mas não há guerras declaradas em minha existência... Acho que pouco entendi de seus quartetos. Nem da areia do deserto ou da pesada sombra da figueira. Todas essas coisas são complicadas demais. Porém a mensagem da mãe espiritual do meu mundo, Maria, lembro palavra por palavra: "- Antes de partir deixe tudo arrumado..." As revivi, recentemente nas telas do cinema, na voz de um personagem emocionante. É preciso estar sempre em estado de prontidão. O encontro pode ser na outra esquina, ou ao raiar do dia.





9 de março de 2011











III



Desmistificando

Comer não é pecado
vegetais são seres vivos
tanto quanto aos animais
apenas não são animados

logo vegetarianos também comem seres vivos

comer um broto de alfafa
corresponde moralmente
a comer uma vitela

Na natureza comer é uma questão vital
todo o alimento já se alimentou um dia
de nutrientes tirados do solo, da água ou de
outros seres
esse fluxo de energia não é maldade


carnívoros comem cadáveres e
herbívoros também

ou a cenoura nunca foi dotada de vida?


Não seria tudo um novo controle social?



25/03/2011

IV




A capacidade criativa do caos



Hei! Amiguinho!!!

Não penses que eu seja de fato totalmente louca

Calma!

Só sou contra o monopólio

Desde que a psicanálise foi criada ela se tornou

Um assunto de especialistas



Digamos

Bem e mal só religioso pode falar?

Legal e ilegal só legisladores?

Morto ou vivo só com atestado médico ?

No ponto ou fora do ponto só Chefe pra saber?

Tudo o que diz respeito ao Estado só os políticos?

Metro ou centímetro tem que ser matemático?

4-3-3 ou 4-2-4 , só técnico?

É assunto ou não, só jornalista?

Ta na moda ou já passou, só designer?

Literatura ou lixo, só professor de academia?



Quando fores novamente olhar para mim saiba que

eu também olho dentro de ti, meu eu poético é o teu espelho, amiguinho!!!!

Calma!

Conheci um pobre peixinho que lutou até a morte contra sua própria imagem

Dizer de mim que sou louca de pouco vai adiantar lá no finzinho das contas...

Eu não sou uma ameaça!!!





26 de março de 2011



V



O sangue do verde

A seiva é o sangue da selva
É vermelho o sangue nas minhas veias
O petróleo é o sangue da Terra

A Terra é um glóbulo no sangue do sol
O sol é um pontinho que navega nas
Artérias do Universo

Sou sangue, sou veia, sou Terra
Um pontinho minusculo que se alimenta e
alimenta

Flui sangue, flui água , flui Terra
Tudo isso é a mais pura energia...


29 de março de 2011



VI

Ouça o deserto!



Vinte e seis dias que aceite a areia

a aridez e o silêncio do meu deserto



Ouvi de alguma profunda e desconhecida fonte

a seguinte sentença:



Mais Deus e menos Ópio!!!



Mais crença e menos desespero



Mais amor e menos ódio



Não sei se devo acreditar...



Fernanda Blaya Figueiró 3 de abril de 2011



VII

A tentadora voz no deserto



E todas as guerras e abusos feitos em nome de Deus?



A sentença “Mais Deus e menos Ópio” do poema anterior



Pode ser no fundo uma grande cilada





Corre barulhentamente a areia na ampulheta



O homem não é a “maquina do mundo” é



Uma parte ínfima da engrenagem.



Todos os problemas humanos se restringem a própria



Humanidade!



Toda a discussão sobre o Planeta reside em



Não termos mais onde residir ou porque existir



Penso nessa “máquina do mundo” como um grande



Rolo compressor! Esmaga, amassa, moi para transformar



Um rolo de auto compressão



Essa mensagem se autodestruirá assim que não for mais



Necessária!



O deserto absorve todos os sons do mundo e aniquila as muitas



Ilusões da mente!



Esse estalinho é meu esqueleto sendo comprimido entre o rolo e



O chão do mundo!



Isso não é sofrimento! É tudo imagem e palavra.









VIII

O silêncio do deserto



É o silêncio de Deus



É ausência de profetas e



Oráculos



Quero apenas alargar um pouquinho



O conceito de normal



Por milênios foi normal que homens e mulheres



Ouvissem a voz de Deus e nele falassem



Hoje é ridículo crer em qualquer coisa que não seja



A ciência



Elevando a ciência a dogma e ferindo-a em



Sua principal busca a liberdade para poder conhecer a realidade



Deus continua falando



Porém estamos submersos em comprimidos e



Comprimidos pela negação



32 dias de deserto



9 de abril de 2011







IX



Temor a Deus?



Não!Não temo a Deus!

Nem nunca Temi

Temerá ele alguma coisa?



Deus é amor!

Deus é bom!

E o Bom não precisa ser temido



O abandono?

Eli! Eli!

Até o maior de todos nós temeu



Ausência eterna?

Não creio

Sei de sua constante presença



O olho que tudo vê?

Não se ocuparia

De uma simples partícula de areia



Como ele é?

Boa essa

Energia e mais energia



Seu amor?

Invisível, intocável

Inimaginável



Se fosse de alguma forma imagem

Seria um suave toque no rosto e um belo sorriso

Sabe que nossa angústia



É pura curiosidade

Sim!!!

Tenho um compromisso com a vida

e o mesmo com a morte



Hoje deixo o deserto ou talvez o

Deserto me deixe.



Pra mim

Foi muito interessante esta proposta!

Para o leitor talvez tenha sido aborrecido.



15 de abril de 2011



O dia dos bobos!!!



Bum!Bum!Bum!...Bobo! Bobo!!
Bum!Bum!Bum!...Bobo! Bobo!!

No mundo da fantasia este é um grande dia
Bum!Bum!Bum!... Bobo Bobo!!
Bum!Bum! Bum!... Bobo Bobo!!

É o dia dos corações baterem forte de tanta alegria
Bobo é quem se acha sempre sorrindo... Todo arrumadinho
Bem penteadinho... Bobo é quem sabe brincar e dançar

É o dia de rir sem medo
De soltar a emoção e fazer brincadeira
Tomar banho de chuva, andar de pé no chão,
Comer pipoca colorida, jogar peteca e furar balão!!!

É dia de ouvir um pouco o próprio coração

Não tem expediente só sonho e
Fantasia
Muito antigamente era hoje que o ano
Começava!!! No fundo o ano gira.

Aproveite e ria com
A criança escondida ou o velhinho
Que perdeu o guarda-chuva !!!

Pobre moço que se acha!!
Cuidado com o andaime!! Cuidado com a escada!!
Cuidado com esse poema que ele logo desaba
Numa louca chuvarada!!!

É preciso ser criança
Criança ser para nesta chuva brincar?





1 de abril de 2011



Parte do Pátionews, uma brincadeira publicada no blog www.linnafranco.blogspot.com











Família Primata





Prima Primata

É dengosa e vaidosa



Sobe árvore, canta,

dança

Brinca, pula

Bate palma

Faz firula



Torce o rabo

Põe a língua

Nunca se cansa

Tudo na natureza está em

Constante mudança





Ganhou uma tiara colorida da

Prima Princesa

Já de sua saúde quem cuida

É a prima veterinária



Esse poema descabido ganhou da

Prima escritora





Bata palma, pule e dance

Que você também dessa família..







10 de abril de 2011

































Terra Viva - Viva Terra



Viva a Terra

Viva a vida

da Terra



Viva a vida sobre

A Terra



A Terra é viva e a

Vida é da Terra



Embananou?

Mas é tudo tão simples



A vida sobre a Terra

Só existe na Terra



Se há vida fora da Terra

É outra vida



Bem diferente ou

Seria tudo a mesma coisa?



Eu queria dizer para a Terra

e para toda a vida na Terra



Que tudo

Tudo é muito bonito e



Você! O que tem a dizer??





18 de abril de 2011





























Quem anda bruxas a soltar



Que as bruxas estão soltas

quem pode negar



Estão trançaditas as crinas dos

Cavalos do pago



I chá- lá

I chá- lá grita o vento e assovia



Batendo a sua porta a pedir um bocado de sal

Credo em cruz, cruz em credo



Daí logo a elas o que solicitam

Um punhado de sal e lembra bem



O que desejas a uma bruxa a ti

Três vezes retorna



I chá- lá

I chá- lá grita o vento e assovia



Não destampe os bueiros e

Nem atice os luzeiros



Que estas que dançam descalças a

Revolver a boa terra



Retornem logo ao sossego de seus lares

Com muita paz e harmonia



Se há nestas paragens gente buena

Que calmamente as tranças desfaçam



I chá- lá

I chá- lá grita o vento e assovia



As bruxas a suas casas retornaram e trota

Sossegada a tropilha no pago



30 de abril de 2011





A ave que por pouco não foi depenada

É um colibri!Eu certifico.
E uma pena da ave tirou
Nada disso! É um Urubu eu atesto
Lá se foi mais uma pena
Quer apostar?
E quem a prova vai tirar?
A sábia Coruja!
E assim a ave aprisionada até a coruja foi conduzida
Nem colibri, nem urubu! Isso bem se sabe.
E mais uma pena da pequena ave era arrancada.
Continuou a coruja
Para bem saber a lama das penas é preciso remover
Ao lago levaram a ave escoltada. Na água a lama ficou
A ave ensopada as penas que restaram limpou e no sol as secou

Urubus, colibris e corujas que a tudo espiavam
Com os olhos arregalados

Com espanto descobriram

Uma linda pomba as belas asas abriu e
Um recado transmitiu

“Eu venho de longe e comigo trago a paz e a alegria”

A linda ave o sol então iluminou
E todos juntos descobriram

Que o céu não tem limites e nem donos!!!


13 de maio de 2011



































Coisa estranha que é a Fé

Uma vez eu precisei...
E Vó Maria Conga me ajudou!
Mais pai Benedito, ou era Pai João?
Que sentado fumava seu cachimbo
Ao pé do cavalo de São Jorge

Sabe o que ela me disse

Oh, branquinha!
É justa a causa e do bem o pedido
Joga esta contenda no fogo e promete

Nunca que deixa
Ninguém fala mal de nenhum “pretinho”

Vó Maria nem precisava pedir, coisa
Tão profunda e bem pedida

Pensava eu que a pouca fé era do outro
Mas aconteceu de descobrir que no fundo
Era também minha...

O poder dessa reza forte que ninguém duvide
Mas tome tento no pedido
Te que ser justo, muito justo...

Eis aqui meu humilde agradecimento a esta
Falange do Divino



16 de maio de 2011



























Outro lugar



A palavra pertence a um outro plano

A luz do outono deixa

Neste instante amarelas as folhas verdes do matagal



Todos os seres saúdam este instante

Em que o sol se deita

Todos sabem

Que ao fim da noite fria ele retorna



Este breve tempo entre um e outro raio revela a beleza

Da Luz fria da lua

Do pulsar constante das estrelas





Nada

Nada

Nada disso depende de mim



Nada disso me pertence ou

Me diz respeito



Minha água ferveu na chaleira

O ar está denso

É a água evaporada...



A morada das palavras é este espaço que

Não existe

Esse descolamento

Lá vivem os poemas, não os poetas



Os poetas tomam chá e comem pinhão



Os poemas tomam a densidade do ar e comem a

Luz que torna amarela as folhas verdes





22 de maio de 2011

























Estava fadado ao...

Já! Escrevi livro - Grandes coisas
Já! Plantei árvore - Grandes coisas
Já! Criei filhos – Grandes coisas
Já! Tenho o sapato do Outdoor
Já! Tenho o casaco da vitrine
Já! Li o noticiário da manhã

Estou livre do livro
Livro Ponto?
Não, tonto!
De qualquer livro
E pronto!

Restam as coisas pequenas

Não queria comprar doces, não precisava de livros, nem de árvores, nem de sapatos, nem de café... Mas aquele tamborzinho do vendedor ambulante, vindo do Peru...

Precisar? Não precisava!

Só que
O peixinho no tambor faz
glub glub glub e isso é imprescindível
esse glub glub glub é mágico

As bolinhas batem no peixinho e ele faz glub glub glub
A linha faz uma infinita volta e
Na minha cidade as crianças caminham nas ruas de terra

A Terra faz mais uma infinita volta
O peixinho diverte as crianças
glub glub glub

E o fado fica fadado ao fictício fim da linha infinita


25 de maio de 2011













As pessoas



Que como eu

São de outro tempo

Não encontram

Sossego numa vida contemplativa



Por isso nunca me cobres algum

Haikai



Minha contemplação é repleta de

Imagens e sons

É rica em idéias

E me divirto muito olhando par elas

Danço em sua conjecturas

Minha imortal alma

Não acredita nadinha nisso que dizem ser

Realidade











6 de junho de 2011



















































Catadora



Para Mario Quintana



Catei um vento

Que vinha do rio

Catei um tempo

Que vinha!!



Vinha? É a mãe do Vinho?



Veio e viu e venceu



Será que o amamos tanto quanto

Devíamos



Devemos

Oh, não!

Não devemos



Esse vento que irmana os tempos

Foi se embora, foi se embora



Não se espante passarinho

O rio murmura bem baixinho



O poeta está em casa

O poeta já saiu

O poeta da bengala se livrou

É que



O Tempo e o Vento

São sempre os mesmos

Mas essa é uma outra longa e bela história



Poeta passe o bule que teu amigo escritor

Pacientemente espera



Que bagunça é essa? Grita a rua...



pois não sabes?

São as velhas paredes do majestoso hotel

Que se põem novamente a

Cochichar...







Como ninguém mais percebe?

Que os velhos edifícios abandonados
Nos grandes centros urbanos são náufragos dos céus
Com suas janelas sem persianas
Seus retalhos pendentes e
Sua triste história

Encontrei um homem que
Brincava de ser um palhaço
Sou um artista dizia
E hoje é isso um palhaço triste
Como um velho edifício abandonado
Tomado pelas pragas e perdido

Totalmente perdido
Seus belos olhos
Hoje tem a tristeza dos palhaços e
A rua como abrigo

Outro dia uma pessoa disse-me algo assim
Eu não creio em Deus! Uma vez aconteceu de comungar, claro que não acredito nesta antiga coisa de confessar... só que não quero para mim a má sorte.
Perguntei
Você crê!
Como? Indagou-me. Insisti você crê que aquilo era o Corpo e o Sangue do Cristo ou
um pequeno e sem gosto pedaço de pão?
Um pedaço de pão!- me respondeu prontamente
Pois então não há crime e muito menos castigo

Sabe que neste Deus eu também não creio, um Deus que se importe com uma pequena e tão sem sentido situação.

Agora, que poder tem o medo! Que poder o medo dá ao outro!

Os edifícios que ocupam o espaço mostram que tudo é igual
Gente, deus, casa. Tudo pode sucumbir.
Tudo pode dar em nada.


19 de junho de 2011















Pelo fim do conceito de caridade

Calma!

Encontrei uma pessoa muito caridosa e
Paradoxalmente muito mesquinha

Esse conflito,para mim,
Se explica porque o caridoso acaba se colocando como
Superior ao outro e fica dependente desta “superioridade”
Fica mesquinho, dá algo ao outro e cobra que
O outro se mantenha numa posição de “inferior”

Substituindo o termo Caridade por Justiça podemos encontrar
O equilíbrio na balança
O caridoso abandona sua “superioridade” e o
Carente abandona sua “inferioridade”
Todos temos o mesmo direito ao sol, ao pão, a casa
E a escolher nosso caminho

Eu sou um pouco de cada
Às vezes caridosa, às vezes carente
Às vezes mesquinha, às vezes não.
É fácil de identificar isso quando olhamos de fora
Caridade alimenta pobreza e miséria
Material, moral ou sentimental
Além de culpa e medo
Essa pessoa de que falo no início
É um pouco eu


21 de junho de 2011





























Encontro

Tem algo errado na vibração deste canto
Não se distraia com as aparências

A pureza é um grande farsa
Nenhum ser é mortal
A morte é a continuação
Como sair do cinema no fim do filme
Tudo continua lá
As pessoas ficam muito anormais quando falam sobre si mesmas

Essa onda forte veio do sul ou veio do norte?
Nem de um, nem do outro

Sabe aquele ponto em que parece que tudo já foi dito
Este é o ponto do mergulho
Só que este mergulho também é totalmente inútil

Conheço uma pessoa que quer muito me contar sobre
Seu antigo sofrimento
Mas eu não sei ouvir
Talvez não queira ouvir

Porque falar sobre o sofrimento alimenta toda esta ilusão
( Existem 4 formas de escrever porque, acho isso complicado, escolhi para mim uma:
“Porque”. Todas as outras, no meu texto, são coisas em desuso e tudo que é desuso acaba esquecido.)

Amiga
Põe em desuso teu velho sofrimento
Escolhe uma lembrança, permita-me te ajudar, por exemplo: “ houve na minha infância um belo dia de inverno em que comi bolinhos de chuva enquanto meu bafo embasava as janelas e nelas escrevi: “ um dia vou ser lembrada por esse dia”, tocava uma linda cantilena ao longe e meu café foi servido com leite fresco borbulhante. Sinto ainda este aroma e lembro do aconchego do casaco e de ver as labaredas dançando na boca do fogão.” Põe em desuso os pés frios e molhados, as frestas por onde o vendo frio entrava, a angústia da falta de luz, as coceiras provocadas pela lã de ovelha tecida, a incerteza sobre o futuro... Põe em desuso a onda que bateu na calçada, ou a mão que ofendeu o rosto. Põe em desuso o que tu acha que a vida te deve.

A mim a vida não deve nada

Conheço tantas histórias tristes e vou colocar todas em desuso.
Porque a escolha de uso deste repertório cria uma ilusão pesada
Já que é ilusão pelo menos que seja leve e linda
Só não posso deixar a chapeuzinho e o patinho feio... Todo mundo usa.


20 de julho de 2011





O tempo de ser antes que aconteça



Não sou PP Pura de Pedigree

Não sou PO Pura de Origem

Sou PP

Pura Poesia



Puramente Brasileira

Negra, índia, portuguesa, espanhola.

Gente

Sou a Brava Gente Brasileira



Se eu pudesse pararia hoje o tempo e lembraria

Das atrocidades dos tempos de antes



Nenhuma religião, ou raça ou ideologia

É melhor do que a outra

Este é um tempo de expansão da mente

Um tempo da matéria que é

A mesma ao longo dos tempos



Este que matou lá longe é o mesmo que mata nas ruas das cidades

Com uma lâmpada

O mesmo que mata com fuzil, ou arma nas escolas do mundo todo

O mesmo que vende a dose letal nas esquinas ou nos bares

Para a cantora ou para o comum



É a parte doente de nós mesmos

A parte que precisa de tratamento

Não de choque, mas de compreensão

Precisa ser entendida histórica-biológica-ideológica-sociológica-antropologicamente

Não há como reverter ou parar o tempo

Mas há como iluminar os próximos passos para que eles não repitam velhos passos



A mistura de raças e culturas no Brasil foi uma grande dádiva

Aqui budista, ateu, pajé, católico, judeu, muçulmano, taoísta, umbandista,macumbeiro, cigano, evangélico, luterano, maçons, rosa cruze, oshoísta, zen, e várias outras correntes são irmãos , sentam e comemoram juntos.

Unamos nossas luzes para que esta nossa parte encontre a cura e a força do amor

Não devemos ter por esta pessoa e suas palavras ódio, nem indiferença

Mas uma esforço de entendimento

O que levou este ser até este trágico momento?

Há uma maneira de evitar que isso contamine outras mentes?

Querido ser sofredor, eu te desejo a paz!



26 de julho de 2011



Neste momento

Não apóie o queixo com as mãos
Nem olhe para o chão
Não tenha atitude contemplativa

Coloque as mãos atrás do seu pescoço
Olhe para cima e apóie os cotovelos nos
Joelhos flexionados

Seja como um embrião
Envolto por uma fina casca e
Mergulhado na clara viscosidade do mundo

Dilacere a casca e deixe
Escorrer a sua clarevidência
Sinta o deslumbre de ver algo novo
E sorria
Não esqueça de sorrir
Não conte para ninguém

Todas as idéias
Vão e voltam
Elas trazem uma onda de energia que impregna algumas mentes
É preciso olhar para elas sem paixão
A menor e mais ingênua das idéias, tanto boa quanto ruim, pode ser fatal
Pode atingir o frágil sustentáculo da vida
Como uma lâmina afiada



7 de agosto de 2011











































Aterrador alguém



Sonhei que entregava um livro meu para um alguém

Que caía na mais absoluta e aterradora risada

A risada ecoou

Pela noite do sonho como uma vergonha

Ou como lembrança

Fiquei na dúvida



Logo encontrei um elixir que curava vinte doenças

O riso solto do alguém se cristalizou



O sonho terminou assim

Não bebi o elixir

Não me sentia com vinte doenças



De quantas coisas eu já ri?

Quantas vezes já riram de mim e eu ri dos outros?



Talvez um livro que sirva

Para o riso seja um elixir que cure vinte doenças



Mas que sonho vaidoso!







08 de agosto de 2011

















































Fugaz



Partiram em uma bela

revoada



O mundo ficou silente e

Suspenso



Só o bater de asas ecoou em

Prece



Uma fininha chuva de palavra

Renovada



Um efêmero sonho

Edificou



A vida é assim não depende de

Mim



15 de agosto de 2011











































Meu corpo espelho do Universo





É só uma questão de densidade

A diferença entre matéria e não matéria



Entre ser e parecer

Entre o pensar sobre um objeto e o

Objeto propriamente dito

O segundo só é um pouco mais denso



Tudo o que acontece ao Universo

Acontece ao meu corpo



A matéria negra do universo é a mesma

Do meu pensamento



Quando isolarmos o pensamento estaremos isolando os mistérios do universo



A morte de um corpo é a mesma morte de um corpo celestial

E a energia que se desprende dele é a nossa alma

A energia que se desprenda na morte de uma estrela é a

Alma do Universo e é eterna



Não precisamos temer o fim nem de uma nem da outra









16 de agosto de 2011

































Doce delírio





Poesia é delírio

Não é ciência

Nem espelho da verdade

É prima irmã da loucura



Delírio é para poucos e

As vezes se torna ruído aos ouvidos

Muito bem treinados



O que seria do mundo sem o barulho que causam

Os delírios e as febres?



No andar da carroça as abóboras se acomodam

Pobre dos cavalos que carregam o pesado fardo



Patinam num velho atoleiro



Desatrelei meus cavalos e permiti

Que minhas abóboras florescessem e nada disso

Tem importância



É só um poema

E nem bom é







19 de agosto de 2011







































11/09/2011



Roguemos para que seja um bom dia!



Releio minhas antigas coisas
E parece que reescrevo sempre

Os mesmos velhos escritos



Já estive aqui tantas vezes

A gente não pode temer dizer algo que

Possa magoar

Não faz sentido deixar de dizer

As mágoas existem e curam



Que as lembranças de tudo o que passou do 11/09/2001

Até o próximo 11/09 sejam curativos de velhas mágoas e

Liberem para o mundo uma onda de boas energias



Para o mundo todo



Não gosto de contabilidade mas

Nestes dez anos

Foram muitas baixas

Muitas quedas

De muitas edificações



Onde Deus fez morada

Onde o Amor

Curou feridas e a dor

Foi se embora



Como a minha escrita

O mundo tende a fez sempre a mesma coisa

Que coisa!



Vamos elevar o que caiu e

Construir tudo de novo

Começando por nosa fé no Homem!!!







2 de setembro de 2011





















Andava pelas ruas da cidade



Achei o homem do saco

Com seu sorriso

Enigmático e antigo



Achei violento o

Túnel que cortava a montanha

Tanto quanto a estrada que invadia o rio



Achei o edifício

Cheio de janelinhas tão

Medonho quanto a quadra retalhada



Achei tão iguais o

Nobre e poderoso hotel

E a favela que o circundava



E me pareceu que sempre foi assim

E me pareceu que não sei ser

De outra maneira



Homem do saco da quadra

da favela do hotel do túnel

da estrada do rio



Homem é

Homem sempre será



Justo – injusto

Saco - Rua

Hotel – Favela

Quadra – Janela



Ficaram só as piramides e a

Morada de quem as construiu pereceu



Ficaram as lágrimas e as

Cruzes desapareceram



Deixa te contar então

Que andava a procura de uma solução



Foi quando olhou para mim apiedado o

Homem do saco



Em seu saco levava a minha resposta

Minha busca tinha virado um grande saco pesado



Ele olhava para mim

Eu olhava para ele



Lá longe vinha

Uma mulher com uma espada

Senho franzido

Olhos vendados

Segurava uma balança cujo

Fiel hora pendia para um lado

Hora pendia para o outro



Justamente nessa hora

Meu saco foi numa ponta

Depositado e na outra o dele



O fiel o centro encontrou



Não me pergunte o que é justo

Que ainda não sei responder



Uma menina de pés descalços passou por mim

Um menino de botas compridas também



Que coisa disse o homem do saco

Pois então respondi

Pobre menina disse eu

Pobre menino ele respondeu



A menina tem a terra sob os pés o menino os pés amarrados

A menina passa frio e o menino tem os pés protegidos



Rimos os dois de tamanha bobagem

Ao ver passar o rio pelo túnel



Justo agora o sol foi embora





7 de setembro de 2011









Em memória de mim





Olho

Os pequenos esquecimentos e a

As grandes lembranças



Leio

Velhos amigos e

Preciosas histórias



Lembro

De quase tudo que

Era delicado



Esqueço

Quase tudo que era

Verdade



O amor

Sempre andou comigo

Pelas estreitas estradas do mundo



O perigo

Passou muito ao largo

Como uma assustadora sombra



A morte

Como tudo o que é proibido

Deve ser uma coisa muito boa



A vida

É esse eterno amanhecer

Entardecer, anoitecer



Deixo

Este bilhete para

O dia que minha memória me abandonar









19 de setembro de 2011











Todas as caixas são mágicas



Tenham elas uma música escondida ou não

Sejam elas um pequeno palco de uma bela bailarina

A aconchegante cama de um ratinho

Ou ainda o invólucro de um futuro presente confeccionado

No passado



Passei por um túnel de verdes árvores

De longe pareciam um emaranhado de

Braços entrelaçados

De perto via-se sua individualidade

Passando por elas sua dicotomia



As árvores da rua não pertencem a ninguém

Os fios que ligam um poste ao outro

E cruzam por estas senhoras ligam madeira a madeira



O que uma árvore foi e no que foi transformada e

Carregam para o mundo este meu poema

Cheio de pequenos erros e de grandes mistérios

Em algum longínquo lugar alguém poderá

Imprimir num antigo pedaço de lenha,

Ou mesmo num papiro feito de fibras

Esta minha lembrança e colocar

Numa pequena caixinha, digamos que feita de madeira.



Teria então um palco, uma bailarina, uma música escondidas?



Senhoras e senhores!

Meu prazo de validade está vencido para as coisas brutas do cotidiano

Para as leis que determinam o que vai ser da arte



Tchum tchum tchum tuchm tchum...



A arte é indeterminável, ilimitável e impossível



As leis são de um mundo e a arte do outro

Como as árvores e os postes, as caixas e as suas surpresas





1 de outubro de 2011



Por definição: Arte ou loucura.




Eu poderia dizer que

Alguém me perguntou isso:

Mas, seria incorreto

Então digo:



Sempre há um filme passando no interior da minha cabeça

Imagens que são aquilo que hoje o cinema chama 3d.

Sempre há uma rádio ligada

Onde muitos diálogos internos são travados.



Vocês podem dizer isso é psicose

E eu vou aceitar.

Mas, uso muito “mas” pois consigo perceber vários pontos

Ou talvez por perceber que a realidade é fragmentada



Você pode dizer este “ser” está advogando contra si mesmo

Vou dar ouvidos a você e aceitar

De fato não é bom falar sobre isso abertamente

Depõe contar mim,

Mas, quem sou eu para negar a mim mesma esta possibilidade de expressar uma

Idéia com medo de um estreito e antigo entendimento



Então vamos abandonar os preâmbulos e ir ao ponto



Talvez a loucura não seja uma patologia e sim uma outra forma de relação com o meio

Uma outra forma de perceber a realidade

Desconectada de uma relação direta com o objeto.



Pode gritar, sapatear, arrancar os cabelos, esta é a hora.

Ou pule fora deste diálogo agora.



Para “mim” e para “eu” a loucura é o ponto em que o tempo pára

É precedida por um estado amplo e agoniante de ansiedade

É o ponto em que as portas deste mundo desaparecem e

Que o outro mundo aparece



A loucura é uma experiência sensorial



A física vem falando que talvez ajam outras possibilidades, universos paralelos, vários universo, várias explicações para um mesmo fenômeno...

A Matemática vem dizendo olha poder ter algo além de dois e dois são quatro

A educação e a psicologia vem dizendo olha talvez ajam várias formas de interação e aprendizagem, algumas crianças são mais competentes em aprender determinadas tarefas...



Basicamente eu acredito que há diferenças fundamentais entre nós humanos.

Alguém interferiu meu pensamente e sentenciou

Eles vão achar que tu é maluca e prepotente

Respondo a este fragmentos de pensamento

Eles já acham

Que diferença vai fazer



Existem seres humanos que

Percebem e interagem com o meio de uma forma e

Outros de outra



Existem seres humanos que reagem a um estímulo de

Uma forma e outros de outra

E isso é sabido

Não é novidade

“Não se cutuca onça com vara curta”



Em alguma medida e violência, a loucura, a percepção alterada

São naturais a alguns seres humanos e em outra a todos

Assim como a cordialidade, a racionalidade e a limitação de percepção.



Se o homem na antiguidade já usava “ produtos que causavam alterações sensoriais” com motivos ritualísticos. Não seria isso uma necessidade humana?



Não! Não sou nem um pouco a favor do uso de drogas!

Apenas de uma busca de entendimento do porque elas atraem tantas pessoas.

Porque dão tanto dinheiro e geram tanta violência.

Quanto de nossa energia é gasta neste combate?

Quanto a mim sou do tipo que consegue “tudo isso” sem precisar usar nada como diria

Renato Russo

“Parece cocaína, mas é só tristeza”

Atualmente minha tristeza esta muito sobre controle e aprendi a viver com ela

Depressão

Não é um defeito, é uma característica de algumas pessoas



Surgiu uma outra pergunta neste diálogo e vou responder( lembrem-se que muitos poetas, escritores e todos os dramaturgos dialogam sozinhos, tudo que é criado em literatura é um grande diálogo entre seres inventados, eles falam dentro da cabeça dos outros)



Se eu lembro quando essa fragmentação apareceu em mim Sim!

Foi a primeira vez que olhei no espelho: aquela imagem que apareceu de franjinha, pele amarelada, olhos fixos, não era eu. Brinco com o espelho sempre e amo isso, nos divertimos muito. Nós?

Mais tarde fiquei muito triste quando insistiam que “meu nome” era um substantivo concreto, como se eu fosse o nome, o corpo do nome, ainda não acredito, mas aceito. Se eles dizem é porque deve ser eu me acho abstrata, não concreta.



Mas...



4 de outubro de 2011





Que sinal é esse?



Que a velha Europa

Sacode

Deixa aflita minha alma

Deixa em alerta meus ouvidos

Deixa abertos meus olhares

É pacífico este protesto

Dizem os moços sem memória



A América está nas ruas

Muito me assusta este levante

É pela Paz diz a bela Canção

É pela justiça

Diz o Povo

Na praça amontoado



Saberá o Povo a Onda que ela produz?



A resposta me assusta

O retorno de tanta energia

A parede na qual ela

Bate e volta



Estes sons em sintonia podem

Despertar o velho espírito da guerra



Dorme, dorme o velho ogro

Dorme, dorme o velho ogro



você sabe



Tudo o que passou

Há tão pouco tempo

Quão custoso foi por o

Ogro a Dormir



Quantas almas penaram

Numa cantiga de ninar







16 de outubro de 2011











Eu sempre soube
Sempre percebi


Uma vez conheci um menino e
Ele disse: - Ela parece que brilha
Eu sabia a que ele se referia
Não o defendi- mea culpa-
Vi seus belos desenhos e entendi
Não era de mim que falava
Era de uma oração

As verdadeiras orações iluminam
Nosso olhar
Nos conectam com os anjos
Quando ele voltou
Nada mais estava lá
Tudo havia mudado e desaparecido
Eu estava opaca

Deus existe


Ria comigo
Não ria de mim

Deus existe

Não ria de mim
Eu escuto bem


Deus existe

Só que as vezes tudo
Muda e ele se esconde


Hoje encontrei comigo e tive uma certeza
Eu sempre fui assim


Confundo as pessoas e
Não as defendo
Acho que aprendi com Deus.

18 de outubro de 2011





O destino do leitor



Pequena homenagem a

Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul



Do leitor anônimo e solitário

Refúgio das crianças tímidas

Berço de muitos sonhos

Escape do tumulto urbano



As bibliotecas são templos laicos

Um bom lugar para fugir do mundo real e

Mergulhar na mágica ilusão das palavras



Sempre existirão

Enquanto o homem existir

Sempre atrairão as mesmas pequenas almas

As Mentes abertas

Os olhos curiosos



Há estádios para os jogadores

Salão para os bailarinos

Fábricas para os trabalhadores

Escola para os professores

Terreno vazio para os construtores

Palco para os atores

Conservatórios para os músicos e



Bibliotecas para quem

Respira Palavra

Lê Mentes

Ouve histórias

Conta lembranças

Poli a realidade

Dribla a verdade

Inventa o mundo

Como se ele fosse

Muito melhor





25 de outubro de 2011













O tempo não existe...





Para Dirk Hesseling





Intervenção

Invenção

Ter

Ação

Ver

Inverter



Perdi um poema em uma aposta

Ganhei um poema em uma aposta

Aposto

Oposto



As grandes imagens colam descolam decolam e

Pousam em serena idade tensa idade voluptuosa idade

tenra idade madura idade sem idade senil idade infante idade



31 de outubro de 2011



















































Meu maior medo é

Morrer e não ficar sabendo



Todo os dias pela manhã a vida se impõe

Como verdade



E o instinto da continuação vem com ela



Pensando bem

Não é absurdo esse medo



Se isso tudo não tiver mesmo fim

Que agonia



Agonia maior é não saber



Eu desde que nasci não sei



Não sei



Não sei o que tem que ser feito entre nascer e morrer



Indaguei a um menino sobre isso e

Vi que frágil pergunta é essa



Nossos meninos estão vivendo sem o conceito de futuro

De continuidade



Estatisticamente eles tem razão



Tenham fé meninos, tenham fé



Um dia a gente descobre



1 de novembro de 2011





























Lapidando a palavra




Meu trabalho

De uma vida inteira

São estes versos brutos



Cada novo poema

è um antigo poema

Refinado ou

Embrutecido



Tecido com sentimentos



Estamos vivendo um período

Corrupto da história do Brasil



Reúno meus versos

Para preservá-los da

Vilania







5 de novembro de 2011







Um pedido para Escrava Anastácia




Bela Escrava

Que sejam perdoados teus algozes e que



Nunca

Nunca

Nunca mais nenhum

Ser humano passe por isso que

Um dia passaram

Escrava Anastácia Santa Bárbara Santa Tereza Santa Catarina



Que escravidão

Seja coisa do passado



Que fome

Seja coisa esquecida



Que a tortura

Seja da Terra Banida



Que a maldade seja

Entendida e superada.



Que as drogas sejam

De todo abandonadas



Que o amor

Entre nós cresça e cure



Os males, as injustiças, as mesquinharias



Anastácia

Que tua voz ao longe seja ouvida

Tua beleza seja para sempre

Reparada

Tua fome saciada

Tuas preces atendidas

Em tuas mãos colocamos nosso

Futuro

Cura todos os nossos males

Perdoa as nossas falhas!!


Escrito para a Contação de Histórias da Semana da Consciência Negra da Escola Walter Jobim

dedico ao Poeta Newton Vaz Coelho e a comunidade da Santa Isabel.


8 de novembro de 2011





O Berço de Mukua




Dedico este poema para as crianças do Quilombo do Capão da Porteira



Eu comprei uma bela boneca sem saber seu nome.

Não sabia sua história, nem de onde ela vinha.

O tempo passou e só hoje, quando acendi uma velinha, essa história inventei.

Inventei ou recebi de presente.

Pois olhando bem para ela um versinho

No meu o ouvido a velinha soprou

Berço de ouro

Berço de prata

Berço de cobre

Berço de junco

Berço de pinho

Berço de baobá

Essa menina nasceu livre

Seu berço foi tecido com as caducas

Folhas do formoso Baobá

Ganhou de sua mãe o nome do fruto desta

Majestosa árvore -pipa.

Ela tem o narizinho chato e a

Boca bem carnuda

Usa uma fita branquinha no cabelo e

Uma linda flor colorida

Como é linda! Diz a menina

Como é fofa! Diz a garota

Quem é ela? Pergunta o moço

Como é bela! Diz a Florisbela

Mukua ela se chama é forte bela e livre.

Sua mãe tem um só nome África

E todos nós somos seus filhos

Mukua é minha irmã, minha tia e minha filha

Mukua vive em todos os países

Vive na Ilha e na Bahia

Vive no Capão da Porteira

No Quilombo e na Cidade

Na Favela e no Palácio

É princesa e é guerreira

É artista e bailarina

Como é poderosa essa menina

Mukua

Meu canto termino



Com a ajuda de uma velinha

Que foi ela quem soprou essa

História tão pequenininha

Mas uma singela

Adoração.

Sua história contarei

Dia vinte contarei

Ao som do Tambor Falante



Mukua é filha de rei.



13 de novembro de 2011































































Vício de origem



O que estava soterrado

Apareceu na beira do Grande Rio



Ao encontrar a luz do sol

O corrupto corpo

Incomodou só um

Pouquinho

Cheirava mal



Deixa pra lá e

Feche a porta que a

A festa é privada

Nesta corrida

Ganha sempre o mesmo

Cavalo



A pedra que havia

No caminho era a mesma

Que jogaram no

Passarinho







14 de novembro de 2011

















Meu Repúdio



Dedico este poema a todos os corruptos!



“De ferro,



de encurvados tirantes de enorme ferro tem de ser



a noite, para que não a estourem e destampem



as muitas coisas que meus abarrotados olhos viram,



as duras coisas que insuportavelmente a povoam”...



Jorge Luiz Borges , poema insônia , livro: “o outro, o mesmo”





Não valem o meu sono !!



Perdi a batalha no campo da lei dos homens







É meu vermelho e denso sangue



Que estes vermes querem







Saibam que eu sei



Eu sei



Quem são eles



A escória







As portas de dois



Mil e



Doze







Como demorei pra perceber







É o Fim do mundo que se aproxima







Que venha!





16 de novembro de 2011























Açoriana origem



Poema em homenagem a




Matheus Simões Pires e Catarina Ignácia Gonçalves Borges*



ambos naturais e procedentes da Ilha Terceira pais do



Sargento-Mór Antônio Simões filho nascido em Rio Pardo em 1766



A Minha querida Vó Vanda Neto Pires que casou-se com Rômulo Lobato Figueiró



a meus Pais



Mauro Gilberto Pires Figueiró e Vera Maria Blaya



a Nicolau Salzano meu marido e



Luiza Figueiró Salzano e João Gabriel Salzano meus filhos e



aos meus netos quando a este mundo vierem






A viagem que agora proponho

È imaginária e romântica





O rei convoca jovens casais para povoar a colônia

A promessa de um bom pedaço de chão

Feche os olhos e imaginem ir sem nunca mais voltar

Sair sem saber para onde

Sonhar sem saber o que a realidade tecia

Os ilheis no continente aportaram cheios de vontade e força

Açores nunca mais

Açores para sempre

Açoriana saudade

Açorina origem

Açoriana Memória



No trançar dos séculos

De casamentos e separações

De amores e de brigas

De trabalho e de fadiga

De mistura de sangues



Casais de números

Casais d'El Rey

Terra ganha

Terra conquistada

Terra bendita

As vezes sofrida



Guerras e conquistas

Derrotas e paz construída



Açores

Virou lembrança

Porcelana fina

Rude bordado

Ferro fundido



O Mar tão distante e bravio

A Alma tão bela e serena



De tanto casamento

Muitos nascimentos



É gaúcho o menino é

Brasileira a menina



Açoriana vertente se

Mesclou na corrente

Do tempo





* Dados tirados do Ensaio Genealógico do Cel. Manoel Veríssimo Simões Pires de autoria de Ivon Chagas da Rocha -publicado em Santa Maria em 1990.

Viamão, 18 de novembro de 2011





























Importante



Flop flop flop

o bater de asas antecede o

Cantar do galo



O que acorda o sol

é este flop flop flop

Não o cocorococóóó



Dizem que poeta

só deveria escrever

de vez em quanto



O galo canta dos os dias

O sol nasce todos os dias

Deixe a poesia em paz









21/11/2011















































Poemas antigos





Estou incomodando, eu sei...


Cleópatra falava em pobreza
Jesus falava em pobreza
Buda falava em pobreza
Hitler flava em pobreza
Ghandi falava em pobreza
Marx ... Pobreza...
Lady Di
Mil, três mil , quatro mil anos...Que pobreza!!!

A gente cria essa pobreza o tempo todo.
A gente cria o medo. E todo o resto.

Vamos tomar um vinhozinho
Ouvindo uma cítara
Vendo a lua ornar o céu?






Revolta

Não é a revolta do vento
Do mar
Da natureza
O que revolta meu estômago
É a falta de revolta
Diante do abandono


















Poema Mudo

Tem coisa mais linda

Que um poema

Silencioso?







O sofrimento cessa quando aceitamos que cessou...







Um minuto

Silenciar por um minuto pode levar uma eternidade

O Universo já respondeu todas as minhas preces. Sou muito Grata!

Quase todos os que conheço são superiores a mim, nisto consiste a minha felicidade: estou entre os pequeninos e nos reconhecemos. Entre meus defeitos estão um antigo hábito de amar a vida, comer carne, beber vinho, falar com os animais e sonhar acordada. Fica acordado, então, que não represento nenhuma ameaça a vossa grande sabedoria, querido leitor imaginário, meu mundo é perfeito. Estou recolhida aos aposentos de minha mente.

Viamão, 3 de junho de 2009.




Chá... das...Cinco?



Não necessariamente!

Essa misteriosa infusão pode acender a luz dos olhos de uma pessoa em qualquer momento.

Com qualquer acompanhamento

Nada pode ser mais cruel para um simples mortal do que perder a

Esperança

Sentimento que pende da velha Caixa de Pandora

Quando parecer que tudo vai ser sugado pelo ralo do bueiro

Coloque um pouco de água para ferver...

E evoque a fada madrinha que adormece nas folhas e frutas de

Diversas plantas...

Com seus diversos sabores e aromas

Feche os olhos quando verter a água no bule e

Faça seus pedidos

Renove sua fé em si mesmo

Sinta a vibração calma e moderada e então

Sirva!!

Gire lentamente a colher na xícara e solte o perfume

Beba sem nenhuma moderação

Mas com muita fantasia...



Corra para o primeiro espelho e reencontre a luz que estava

Escondida!!!!





Viamão, 2 de julho de 2010



































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