Poemas do Deserto - I Parte

Oi Gente !

Organizei uma nova coletânea:
"Poemas do Deserto - Coletânea de Poemas de Fernanda Blaya Figueiró "
Vou publicar em II Partes pois como são 109 págians não consigo postar tudo junto

Espero que vocês gostem!!!


Poemas do Deserto


Coletânea de Poemas de


Fernanda Blaya Figueiró





I Parte


Poemas Publicados pela autora no Blog

www.fernandablaya.blogspot.com







Direitos autorais desta obra pertencem a Fernanda Blaya Figueiró sendo vedada a cópia total ou parcial sem autorização da autora









Viamão- 2011











Apresentação







Nesta coletânea reúno todos os meus poemas escritos depois da publicação do Livro “Arquivo Poético- Coletâneas de Poemas de Fernanda Blaya Figueiró” lançado em 2010 e publicados no blog. Alimento o sonho de escrever desde muito pequena, a palavra para mim é uma forma de conexão com o divino, conheço as minhas dificuldades com a escrita formal e recorro a poesia para expressar minhas ideias, angústias, sonhos, devaneios, meu olhar sobre o cotidiano... Para mim escrever é viver, na vida nossas ações são limitadas a um rígido código moral e um contrato social, vivemos em sociedade e temos direitos e deveres. Na poesia não há limites, pelo menos nestas páginas. Certo ou errado, bom ou ruim, eterno ou passageiro, gordo ou magro, grande ou pequeno, prosa ou verso, adulto ou infantil. Não gostaria de formatar minha poesia. Gostaria de poder libertá-la de um único padrão estético. Ao reunir estes versos pensei: vou fazer um novo livro! Meu primeiro livro”Ano Novo e Textos Escolhidos” imprimi em dois mil e seis , trezentas cópias, das quais ainda devo ter quase trinta, vendi pouquíssimo. É um bom livro, já briguei com ele, briguei por ele, já recebi boas e más críticas e hoje tenho uma grande estima por ele. Participei de várias coletâneas e publiquei muita, muita coisa mesmo, nos meus dois blogs e no jornal Correio Rural, devo um agradecimento especial ao Milton Santos, então aproveito este espaço: Obrigada, Milton! E parabéns pela aproximação do centenário do Correio Rural. Do meu segundo livro também fiz trezentas cópias e tenho ainda alguns pacotes guardados. Não pretendo reeditá-los, porque sou uma péssima vendedora, mesmo quando dou um livro para alguém fico na dúvida se deveria ou não fazer isso. Tenho uma boa rede de amigos para quem envio minhas crônicas, contos e poemas, via e-mail, as vezes tenho retorno as vezes não. A quem solicita deixo de enviar, porque acredito que a leitura é um ato de Livre Arbítrio, nunca terminei um único livro só por obrigação. Não gostaria que em momento algum alguém se sentisse obrigado a ler um poema meu e digo com muita certeza que sei que minha poesia, quando ela aparece, é difícil de digerir. Alguns momentos deste livro tem poesia, outros não, só que não cabe a mim decidir, por isso não mato mais poemas. Já fiz isso! Assim como não gosto que se mude um só risco, tudo aqui é de minha autoria, tudo foi digitado, pensado, sentido por mim, os erros são meus os acertos também. Eu sou uma pessoa difícil, se não fosse assim dificilmente chegaria até aqui a este nível de exposição que é escrever poemas. Já escrevi contos, mas deixei esta antiga arte de lado porque está, ao meu olhar, muito aprisionada. Parece que o conto virou um subproduto da literatura, o que é uma pena, pois escrever contos é uma arte. Cheguei a iniciar a organização de uma coletânea de todos os meus contos, mas achei muito cansativo decidir o que manter e o que eliminar. Acredito que a poesia ainda tem mais espaço para a palavra fluir livremente. Assim decidi publicar esta coletânea no blog, são todos poemas já publicados aqui, para organizar e encaminhar o registro junto a Fundação Biblioteca Nacional, mesmo que isso pareça um pouco sem sentido.





Fernanda Blaya Figueiró



Viamão, 23 de novembro de 2011





Ao abrigo da Figueira



Em Homenagem ao Aniversário de Viamão



Setembrina! Setembrina!

No silêncio de tuas colinas

Há um canto esquecido



Setembrina! Setembrina!

Ouve no vento o sutil chamado

De bravura e de esperança



Setembrina! Setembrina!

Nos braços abertos

Da majestosa Figueira



Setembrina!Setembrina!

Descansa com seu cavalo

O velho sonho farroupilha



Setembrina! Setembrina!

Entre as pedras da antiga trincheira

E as raízes da formosa Figueira!



Setembrina!Setembrina!

Resguardado foi o sangue e

Orgulho de um povo



Setembrina! Setembrina!

Que não se cansa de bradar

Esta é uma Terra Farroupilha.



Setembrina! Setembrina!

Entoa  sempre este canto

Abrigado nas trincheiras



Setembrina dos Farrapos!

Velho sonho farroupilha que

Descansa ao abrigo  da Figueira





Viamão,23 de agosto de 2010











































































Este pó nas minhas mãos



Casca grossa, casca fina, casca de arroz



Ao olhar pela janela recordei que o pó

Nas minhas mãos era do arroz cru

Antes de ser lavado e escolhido

Mas é também de giz e farinha

De terra e poeira

Este pó nas minhas mãos é de

Brincadeira



A janela deu em uma antiga sala

De meditação

Olhando por ela avistei um luzeiro



Pavio curto, chama alta

Casca grossa, casca fina,

Pó de arroz

Leite fervido, nata batida

Janela ao vento, sol saindo

Lua entrando



E a velha chama dançando

Embalada pela brisa da noite



Este pó nas minhas mãos

É feito a vida









3 de outubro de 2010



Publicado na Coletânea “Voo Independente 10” da AGEI





























Ave!



Erigir preces

pintar palavras

fritar rimas

cultivar amores

forjar verdades

destruir pensamentos

meu avental

lembra o antigo

ofício de fazer poesia

não protege a roupa

mas sim a alma dentro

da roupa







09/10/2010



























































Os gavetas – Um musical esquecido



Da fronteira do inferno

Uma mensagem escapou



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!



A legião de miseráveis

vai saquear suas riquezas



São eles os Gavetas

Velhos ladrões da realeza



De títulos a cordões de ouro

Eles matam por seu dinheiro



O palhaço vai juntar-se a eles

É cruel e desdenhoso



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!



Compartilhe sua riqueza

eles riem enquanto sua maldade escondem



Os miseráveis do inferno

Clamam o conteúdo de seu tesouro



Esta é uma marcha fúnebre

Dos dois lados da mesma moeda



è cruel o miserável

è cruel o seu chamado



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!



não se apegue a riqueza

não se faça miserável



compartilhe sua beleza

um bom fruto de sua energia



O que chama os Gavetas

Assassinos sem piedade



è o conteúdo que excede

è o ouro que não gera



Os Gavetas são malevas

querem fome, querem guerra



Assassinos implacáveis

Do inferno reclamam



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!



Querem ouro, querem seda

querem tudo que o rei tem



Bebem sangue e comem terra

querem tudo sem parar



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!



Não atraia os Gavetas

Não atraia a má sorte



Viva bem e compartilhe

a sua mesa , o seu pão



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!



Ainda é tempo de viver

Com alegria e amor



Ainda é tempo de morrer

Com tranquilidade e sem dor



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!



Nelas guardas teus rancores

nelas guardas teus tesouros



Elas estão tão pesadas

Elas estão tão cheias



Encha de amor e de generosidade

Sua vida ainda agora



Faça de sua riqueza

Um fruto para a posteridade



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!



compartilhe pão e vinho

compartilhe paz e amor



compartilhe sua tristeza

compartilhe sua alegria



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!



Não atraia os Gavetas

Não traia a má sorte



não ria da desgraça

não aceite a trapaça



Assim termina nosso canto

Com a mensagem transmitida



suas gavetas podem ter

muita paz e amor



sua riqueza pode ser

o sorriso de uma criança



o mundo não é um picadeiro

banhado em sangue



A vida é o tempo

de conhecer sua gaveta



“esvazie suas gavetas

esvazie suas gavetas!!!





23/10/2011




A desdita




Os atos são para os atores o público não precisa saber deles

Para manter a ilusão de algo inteiro

Eis a magia de uma boa história



As rachaduras nas paredes da casa trarão a tona a

Temática do Aquecimento, a força do Sol,

A falta da água e...



Vai faltar cerveja no verão!



Ah, não! Isso, não!



Agora que o povo anda tão confiante

Tão cheio de vales

E montanhas para percorrer

Tomado de uma esperança pueril

Quem já é um pouquinho mais antigo fica preocupado

Com o próximo ato

Com a desdita

Tomara que a gente se engane!



Que não venha a faltar o Carnaval!

Nem o soldo

O resto tudo se acomoda

Tudo se enfrenta



Desfaz logo o palco para que

Ela não se apresente.







7 de novembro de 2010































Finesse







Como uma fina estampa na seda

As imagens dançam e se alternam

Essa aridez é aparente



Olhe o verde do bambu

Retornou a sua almofada

Há pouco havia desaparecido

Andava na saia do vestido

No mural da parede

Na caixa do sapato

Na cortina do banheiro





Deixa eu te contar então

As estampas fenecem o bambu

Floresce









19 de novembro de 2010











































Disfarça!



Comprei verduras de um

farsante e elas não

eram verdes



Comprei melodias

de um farsante e elas

não eram harmônicas



Comprei histórias

de um farsante e elas não

eram boas



As farsas só servem para o palco

Na vida elas não tem graça

Olha, lá vai o farsante



Disfarça!



Dia desses colou uma foto sua

Com roupa de astronauta e

Tentou vender mais essa



Dessa vez não comprei!

Que da lua quem sabe tudo

Sou eu



Teve uma vez...





24 de novembro de 2010































Uma prece, urgente!





Alguns lugares instigam a imaginação

As cidades tem uma vida própria



Pobre, Rio!



Tão cantado, abraçado e amado



Anda precisando de colo!

De Carinho

De consolo





Visualizemos um novo Rio

Mais parecido com o antigo



Quando as pessoas caminhavam feliz e sem medo pelas praias quentes e ensolaradas.



Não vamos mais chamar este conflito de Guerra

Atrai má sorte

Vamos chamar de passageiro

De briga de fundo de quintal

De mal entendido



Cidade maravilhosa

Cheia de encantos mil



Vamos orar para que tudo passe logo e

A alegria retorne a nosso irmãos que vivem tão longe e tão perto



Oxalá!!!!









26 de novembro de 2010

























Senhores cineastas!





Queria ver um filme de amor!

Um amor de filme antigo

Com beleza, ingenuidade,

Canto, dança

Lágrimas, beijos



Lacônico

Com final deslumbrante e

Paisagens fugidias



Tem vida de mais no cinema

Cinema é magia

Fantasia

Vida a gente vê o tempo todo

Vou ao cinema para ser

Enganada



Faz tempo que ninguém me engana!



K Vejo filmes de mais...



Mea Culpa!





27 de novembro de 2010







































Obtuso



Não persigo os passos de nenhum mestre



Esse ângulo

É apenas um jeito de olhar

E sentir o mundo

Prestando bem a atenção

Não tem sincronia

Tem particularidades universais



Nado livremente

No mar, com todos os seus perigos,

Assim sou

Um a



27 de novembro de 2010



































































Um tempo!



Nesta tardia hora me desconheço



Não conheço estas roupas, este fio de cabelo

A receita do meio dia

A cantilena da meia noite



Não fui eu quem cerziu meias

Quem respirou

Cheiro de erva e macega



Eu? Andava longe nesta hora

Pensava em porque construir um prédio tão alto e

Tão difícil de subir

Seria para criar a sensação de estar num penhasco

Caminhar ao ar livre e ter o sol torrando o coco

O coração batendo na boca e a

Cabeça latejando



Deslisei os dedos nestes cabelos

Definitivamente não reconheço



Eu? tirei férias de mim!













27/11/2010





























A vida manda





Eu obedeço

Estava eu contando histórias

Como se isso fosse uma forma de ciência,

Ao fim das contas

Uma criança me

Abençoou



Corei!



Aquela mãozinha estendida para mim

E as palavras : Deus te abençoe!

Derrubaram toda minha ciência

Orávamos o tempo todo



Eu imaginava mas não sabia



Lembrei de tantos momentos importantes

Que se foram e fiquei contente

Entendi!



Talvez nunca mais reencontre aquela menina

Mas, a sua benção sempre permanecera em mim



E algo que eu disse permanecerá com ela



Eu que digo tanta coisa …

Fiquei sem palavras







30/11/2010

As estrelas



além das luzes das cidades há
uma noite escura e quente
de céu estrelado

onde podemos sentir
a grandiosidade de nossa
existência

meu sorriso
minha energia
meus medos
dedico as longínquas estrelas que
povoam o céu
e enfeitam a noite

para elas nada
tem segredo ou
mistério
não cansam de
pulsar,pulsar,pulsar!!!



07/12/2010











































Não vai sobrar nada





coloquei tanta coisa fora hoje que

fiquei com os olhos cheios

a boca seca

os pés dormentes

a cabeça vazia



foi esse antigo jazz

tão modificado

o que pensava estar fazendo

quem fez isso?





11 de dezembro de 2010































































Aos poetas desconhecidos



Outo dia ouvi um especialista falando

Que Mario Quintana só se tornou

Em “- Mário Quintana!” Porque viveu muito

Fiquei triste

Achei a colocação descolocada, amargurada

E o grande mérito de seu trabalho?



Talvez tenha insistido tando em viver que

A luzinha mágica da poesia apareceu na ponta de sua caneta



A grande massa que morreu desconhecida, objeto da

Comparação, devia estar ocupada em

Plantar uma árvore, criar um filho e escrever um livro

Na mesma intensidade

Oh! Isso dá uma trabalheira danada



Depois sentaram e esperam que ela viesse



Falei,falei,falei,falhei?





12 de dezembro de 2010

Fernanda Blaya Figueiró















































Ambíguo sentimento



Meu pensamento anda reprimido

Tenho sobressaltos a noite.



Acordo imaginando que sou uma anta a agonizar



Esses sentimentos e pensamentos que

Afloram durante a madrugada



Revelam uma aflição verdadeira

Uma aflição, aflita



Como se uma grande onda de desânimo dominasse

As pessoas ou um falso sossego parecido com a

Melhora antes da morte tomasse conta do corpo



Eu deveria aceitar esta plasticidade e mergulhar

Nestas incoerências



Vamos lá: - Acredito que o futuro da humanidade será melhor!



Que bobagem!



De novo: - Aceito que as pessoas podem viver e conviver com tamanhas desigualdades



Difícil construir um credo!



Quem sabe:- Isso tudo não é um problema meu!



Joguei a pedra! Que o universo responda!

...

Sim, é Natal e

Sofro da

Síndrome da “Menina da Caixinha de Fósforo”



Não que eu seja a menina, isso seria terrível

Sou aquele que não faz nada

O que também é terrível



Tanto quanto o nascer do cordeiro!



Não riam e nem fiquem sossegados irmãos de

Outras religiões

Vocês tem também seus

Pesares

Ou

Tudo foram flores e alegrias

Nos caminhos de seus guias?



13 de dezembro de 2010





























































































Como sou tola



Não penso em verdades

Em verdade não penso

Neste momento



A água foi para

Apagar a sensação de

Fim de festa

Lavar o dia



Diz de mim

como sou pequena



Levou com ela minhas

Grandes idéias



Fiquei eu

Sem idéia alguma

Vendo a água descer rumo a terra



O sal?

Para afastar os maus presságios



A vela?

Para iluminar os caminhos



Mas nada disso é real









22 de dezembro de 2011



























A Terra



É um lindo ligar para se estar

Tudo nela é perfeito

Imperfeitos somos nós que

Não conseguimos perceber isso



Coloquei todos os problemas do

Mundo nas palmas de minhas mãos e

Olhei atentamente para eles

Lentamente foram correndo

Sumindo levados pela chuva e

Pelo vento



Restou uma concha aberta

Repousei meu rosto nela



E encontrei uma grande paz









22/12/2010

























































Errante





Tinha a tristeza dos santos

o olhar vago dos perdidos

a cor amarelado dos que

não tem mais nada com essa vida



Entre as mãos um pequeno

ninho, caído de uma árvore



E um enigma

Como eles conseguem?







26 de dezembro





























































Expectativa



Seria a vida uma maratona

para descobrir quem vai mais longe

quem vive mais?



nunca levei muito a sério aqueles que diziam

que eu era medíocre

também não levo a sério os que afirmavam o

contrário



uma vez soube de um casal que

em uma movimentada avenida

errou o passo na travessia



não evoco seus espíritos pois faz já muito tempo

que estejam em paz

evoco a memória do acontecido



o instante em que combinaram

Vamos!

e o instante seguinte

em que não restava mais nada para

ser feito



eram jovens e para eles a hora era aquela



aprendi a não criar muitas expectativas

a não tecer ilusões

vou andando

sem me ocupar de mais com os acertos e erros



lembro que fiquei com a sensação que ali estavam dois

seres que se amaram muito

venceram, digo, viveram





sou grata por meus pés já me terem trazido até aqui.









27 de dezembro de 2010









O tempo





Sempre nos espantamos com o calor

Falamos do frio, da chuva e do vento



É tudo tão assustadoramente simples



A complexidade vive aqui

No papel

Sem ela nos descobrimos muito

Insignificantes



- Oh! Que calor!

Cria um significado,

Cria uma idéia

Acerca de nós mesmos

Do que testemunhamos



-Oh! Que vento maluco!



Este poema é tão cheio de obviedade

Que eu não deveria escrevê-lo



-Oh! É mesmo!.. Será que vai chover?



28 de dezembro de 2011(retificado para 2010)


É Inerente


vem uma pessoa
passa um poeta
a pessoa diz algo o poeta
transforma em outra coisa

pensa a pessoa
mas eu conheço este poeta
pensa o poeta mas a coisa dita não é
mais a mesma

histórias contadas ao ar livre
gestos, aromas, tudo vira alguma outra coisa

outro dia tropecei

meu tropeço foi filmado, fotografado, narrado
analisado, conceituado, pesado, calculado e outros ados

muitas conclusões foram tiradas
como coelhos de cartola

para mim um tropeço
simples
que sempre me ocorre

então tenho memória de tropeços bem
mais significativos

porém vou ir hoje a pré-estréia
sou sabedora de que
nem foi assim
“o tropeço”

se eu uso as palavras alheias
acho justo que alguém use o meu
tropeço
só contesto o IMC,

Mórbido?






28 de dezembro de 2011(retificado para 2010)





Vazio é possibilidade





A loucura tem um lado muito sedutor. Só quem já beirou a ela, quem já trilhou o chão sem chão, já parou o tempo, já viu o que ninguém mais vê. Só quem já duvidou, profundamente. Quem sentiu a dor no peito, a garganta seca. Dizem que os loucos se reconhecem e afirmo que isso é verdade. Pior do que se permitir uma loucura é se abster dela. Andar entre eles e fingir. Fingir que também é um. Pior disso é reconhecer neles, os não loucos, alguma coisinha de loucura. E querem enganar a mim. Ficam dizendo, olha! eu não sou assim! Viu? Eu só tô brincando... Você sabe, né? Oh!, digo, sei sim. E dou corda. Com ela não se brinca. Então eles vão indo, indo, indo e quando ela os pega , mas pega pra valer, ficam pelos cantos como cãezinhos que colocaram o focinho na tomada. Dizem, louco? Eu? Não! E sem saber se bandeiam para o lado de cá. Só que ela é terrível, os abandona. Eles ficam cheios de uma razão, racional. Então, nós, os autênticos ficamos olhando, olhando. Eles passam e dizem não os conheço. Como não se contraria os loucos respondemos, não! Nos aventuramos dentro de nossa loucura, nos entregamos a ela e fazemos reverência quando aparece.

Eles se desesperam, se agarram a sua razão e sua sanidade. Nós? Não! Ela tem muitos desejos e vai embora quando quer, volta quando quer. Não bate a porta, não manda anúncio. Não cobra nada, nem dá também. Quem matou Abel? Todo mundo sabe, foi Caim! Abel era um de nós. Caim um deles! Os novos loucos deste centro tem um atributo, a maldade. Com essa é bem difícil de lidar. Com essa é preciso saber o limite. As forças ficaram desequilibradas. Em breve um de nós tomará o lugar de Abel. Olhando bem acho que estou te reconhecendo...



24 de dezembro de 2011 (retificado para 2010)




















































Ano novo, tudo de novo





Tudo, em termos humanos, vira um produto

O bom vendedor cria no consumidor em potencial

Uma necessidade que ele não tem

Contorna objeções, seduz com sonhos

Até chegar ao momento sublime do

Fechamento

Do contrato



Você necessita de um amigo, de um amor

De um grupo, uma matilha?



Não!

Você tem que ler ou escutar determinadas

“Verdades”

Não!



Relações artificiais são nocivas

Estou aprendendo a evitá-las



bem-me-quer mal-me-quer bem-me-quer mal-me-quer



queira me bem, queira me mal



Não! Não me queira

Nem me aceite



Caminhe ao meu lado

Ou para o lado inverso

Ou na perpendicular

Ou na diagonal...





02 de janeiro de 2011

























Ser etéreo



quem vai estar

quem vai ouvir

quem vai ler



não importa



é precisa transitar livremente pelo espaço



estar entre as nuvens



escrever para as borboletas e



ouvir os preciosos murmúrios dos passarinhos



e nunca, nunca praguejar



as pragas ficam presas na ponta da língua



para amar é preciso esquecer



esquecer quem esteve

quem ouviu

quem leu



eu estive

eu ouvi

eu li



e tudo dançou uma ciranda

agora não sei mais



se li

se estive

ou se ouvi



mas sei sim

que tudo que escrevo saiu de alguma destas interações



todo o poema poderia ser um longo romance



3 de janeiro de 2011













A dor





Sem ela a arte não seria a mesma

É da lama do fundo do poço que se alimentam

Os sentimentos mais nobres

O perdão

A elevação

A superação



Que engano lodo, fundo, poço

Algo a perdoar

A elevar a

Superar



É tudo invenção

de algum

Artista



Chora a partida de alguém

O fim da riqueza

A falta de imaginação



Chora, chora, chora

Mas depois deixa

Deixa o caminho seguir









4 de janeiro de 2011


O encanto de Lili






Alguns seres vem ao mundo

para encantar



Basta um sorriso, uma aparição e a

vida parece mais bela e serena



Quando retornam a amplitude do universo

são recebidos por uma legião de admiradores



Curvam se eles em um sinal de reverência

e o caminho se enche de luz



Uma luzinha dança entre as estrelas

e funde-se ao grande mistério



Que todos os seus sonhos sejam realizados

e na ponta desta estrada de braços abertos



O seu encanto se torne eterno

caminhe e brilhe junto ao seu amor.



Aqui na Terra nascerá deste amor

uma linda e majestosa flor.





6 de janeiro







































Tralalá



Tralá tralá tratatatá

tralá tralá tratatatá...

para que

Tanto tralalá?



Para nos convencer!



Já fomos vencidos

convencidos

convertidos

confinados

conformados



afundados na

na lama do poço

dos sanguessugas



de onde vinha essa velha

cantilena



Tralá tralá tratatatá

tralá tralá tratatatá...





7 de janeiro de 2011

Tire um dia para amar




Ame um desconhecido

Ouça suas histórias

Ria de suas piadas

Chore a sua tristeza e



Parta



Ame um poste

Olhe nele a antiga árvore

Imagine as flores que perdeu

Pense na serralheria, no peso dos fios e



Siga



Ame um rio

Toque em sua água corrente

Prove um de seus peixes

Indague sobre aquela espuma escura e



Volte



Volte para o seu dia

Para sua casa

Por outro caminho

Não conte a ninguém



Ninguém poderia entender

a intensidade do rio, do poste, do desconhecido







10 de janeiro de 2011

































Quem diria



verde com lilás

combina com dourado

duvida?

olhe então o

pingo de ouro







10 de janeiro de 2011













































Livre-arbítrio

minha alma não é mais prisioneira de nada
torturante sensação esta

tudo o que sempre temi já aconteceu e ainda estou aqui
vivia eu a prisão de algumas sentenças

certo errado
direita esquerda
bom ruim
santificado pecado

como uma escritora que odiasse leitura
uma musicista que evitasse a melodia
uma pintora que desconhecesse a forma
uma atriz que negasse a interpretação

agora
que todas as peças estão no seu devido lugar
descobri que não há lugar

alugar
não não há

não há mais lugar para grandes poemas épicos

sai de minha vida pensamento tolo
agora!
perderíamos tempo
energia

falta
energia
não sentido
recolho as redes de meu poema.


12 de janeiro de 2011

















Eu sou





a - uma escritora



b - uma poetisa



c - uma maluca



porque só acredito na terceira

alternativa?



é bem mais fácil...









13 de janeiro de 2011




Mania do fazer


Belo enigma
Adorável metáfora
Poderoso verbo

Terra arada
Pão assado
Muro erguido
Contrato assinado
Chão varrido
Cama coberta
Livro impresso
Lição aprendida

Tanto faz
Desde que feito
Desfeito
Refeito...

Esse vício vem de longe

E disse deus:

Faça-se a luz! E a luz foi feita!



14 de janeiro de 2011

A única forma




de dança que conheço é a livre



a única interpretação que entendo é a livre



livre talvez seja desengonçada e esteticamente



fora



de tempo



vai saber



só posso dançar em privado



pois minha alma fica muito muito leve e isso



causa um incômodo para quem nada entende de ser livre







15 de janeiro de 2011























































Confundi

Cora Coralina com Cecília Meireles

Estando as duas agora sentadas juntas em uma
pequena cafeteria celestial entre poemas e confissões
não perderiam tempo com tão pequena falha humana
belas e plenas trocando cânticos e receitas de doces

a poesia é tanta que acaba fundindo
ocupa um outro lugar
não real
não humano

não há sentido
ou sentimento nas biografias que revele a intensão de um poema

o espaço e o tempo da poesia são outros
os eventos são outros
a vida é outra

Bom café, meninas!

Lembranças nossas para todos os poetas e poetisa que aí estejam...



16 de janeiro de 2011





























































































































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