A nova censura

A nova censura.




Nos dias de hoje os textos de literatura são censurados por dois mecanismos: o mercado editorial e o conceito de politicamente correto. Um autor para entrar em circulação tem que atender a estes dois “censuradores”, tem que escrever coisas que possam ser vendidas e de ampla aceitação, tem que enquadrar seu texto nas artificiais classificações de prosa, verso, adulto, infantil... Tem que se restringir a sua condição como se cada macaco tivesse que ficar no seu galho. Então só magros falam sobre magreza , gordos sobre gordura, mulheres sobre condição feminina, homens sobre condições masculinas, homossexuais sobre homossexualismo, negros sobre negritude, brancos sobre branquidade, pardos sobre mestiçagem, bons sobre bondade, ninguém fala sobre maldade como se ela não existisse ou não passasse de uma sombra. Os felizes sobre a felicidade, os tristes sobre a tristeza... Ninguém nunca ficou bravo ou cometeu um deslize: (leia-se Poema em Linha Reta – Fernando Pessoa) . Para chegar nas mãos do leitor o texto é fervido, resfriado, selado hermeticamente e guardado em condições ideias para não ser contaminado. Caso, mesmo assim, o sabor não seja de gosto do fregues então é retirado do mercado, ou remodelado. Mas acho que isso, pensando bem, não acontece só com os livros não. Acontece com tudo o que consumimos atualmente. A censura foi maquiada em pré requisito para atingir a “qualidade do produto”. Ler um livro virou fast alguma coisa, quando o consumidor termina de consumir o produto não sabe bem o que sente.



Fernanda Blaya Figueiró

12 de novembro de 2011

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