Poema - Todas as caixas são mágicas



Todas as caixas são mágicas




Tenham elas uma música escondida ou não

Sejam elas um pequeno palco de uma bela bailarina

A aconchegante cama de um ratinho

Ou ainda o invólucro de um futuro presente confeccionado

No passado



Passei por um túnel de verdes árvores

De longe pareciam um emaranhado de

Braços entrelaçados

De perto via-se sua individualidade

Passando por elas sua dicotomia



As árvores da rua não pertencem a ninguém

Os fios que ligam um poste ao outro

E cruzam por estas senhoras ligam madeira a madeira



O que uma árvore foi e no que foi transformada e

Carregam para o mundo este meu poema

Cheio de pequenos erros e de grandes mistérios

Em algum longínquo lugar alguém poderá

Imprimir num antigo pedaço de lenha,

Ou mesmo num papiro feito de fibras

Esta minha lembrança e colocar

Numa pequena caixinha, digamos que feita de madeira.



Teria então um palco, uma bailarina, uma música escondidas?



Senhoras e senhores!

Meu prazo de validade está vencido para as coisas brutas do cotidiano

Para as leis que determinam o que vai ser da arte



Tchum tchum tchum tuchm tchum...



A arte é indeterminável, ilimitável e impossível



As leis são de um mundo e a arte do outro

Como as árvores e os postes, as caixas e as suas surpresas



Fernanda Blaya Figueiró

1 de outubro de 2011

Comments

Anonymous said…
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