Poema - Andava pelas ruas da cidade

Andava pelas ruas da cidade

Achei o homem do saco
Com seu sorriso
Enigmático e antigo

Achei violento o
Túnel que cortava a montanha
Tanto quanto a estrada que invadia o rio

Achei o edifício
Cheio de janelinhas tão
Medonho quanto a quadra retalhada

Achei tão iguais o
Nobre e poderoso hotel
E a favela que o circundava

E me pareceu que sempre foi assim
E me pareceu que não sei ser
De outra maneira

Homem do saco da quadra
da favela do hotel do túnel
da estrada do rio

Homem é
Homem sempre será

Justo – injusto
Saco - Rua
Hotel – Favela
Quadra – Janela

Ficaram só as piramides e a
Morada de quem as construiu pereceu

Ficaram as lágrimas e as
Cruzes desapareceram

Deixa te contar então
Que andava a procura de uma solução

Foi quando olhou para mim apiedado o
Homem do saco

Em seu saco levava a minha resposta
Minha busca tinha virado um grande saco pesado

Ele olhava para mim
Eu olhava para ele

Lá longe vinha
Uma mulher com uma espada
Senho franzido
Olhos vendados
Segurava uma balança cujo
Fiel hora pendia para um lado
Hora pendia para o outro

Justamente nessa hora
Meu saco foi numa ponta
Depositado e na outra o dele

O fiel o centro encontrou

Não me pergunte o que é justo
Que ainda não sei responder

Uma menina de pés descalços passou por mim
Um menino de botas compridas também

Que coisa disse o homem do saco
Pois então respondi
Pobre menina disse eu
Pobre menino ele respondeu

A menina tem a terra sob os pés o menino os pés amarrados
A menina passa frio e o menino tem os pés protegidos

Rimos os dois de tamanha bobagem
Ao ver passar o rio pelo túnel

Justo agora o sol foi embora

Fernanda Blaya Figueiró
7 de setembro de 2011

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