Crônica - Sobre o filme "A àrvore da Vida"

A Árvore da Vida – O filme

Ontem assisti ao filme “A Árvore da da Vida”,  adorei! Não é para pessoas que gostam de filmes de ação , mas sim para quem entende que o cinema também pode, como sempre aconteceu, ser uma arte de reflexão. As imagens são arrebatadoras, como uma obra de arte, a sonoplastia é fantástica e a história muito bem contada. Eu fiquei encantada com o filme e o quanto , sem a  falsidade da máscara da modéstia, minha poesia se aproxima dos conteúdos das artes de outras formas de expressão. Meu texto não é nenhuma  grande obra, mas está longe de ser "desconectado" com o resto. Venho, de uma forma empírica, doméstica, livre, direcionada para o leitor comum, discutindo conteúdos que o mundo está discutindo. As transformações da nossa sociedade, a nossa relação com o universo e com deus. E as vezes parece que estou “fora de órbita” mas ao ver um filme como este, me sinto conectada com a arte. Sim! Minha arte é pequena, desconhecida, efêmera, inútil, mas encontra par nas outras coisas produzidas. E a rede é uma grande aliada nesta construção de um novo olhar sobre as coisas. A luz que abre e finda,no filme e mostra as transformações na vida do planeta em paralelo com  a vida de uma mulher, de uma família mostram que somos pequenos sim, mas  parte da vida do planeta. Me sinto com relação a  minha poesia como aquela mamãe dinossauro, apertando a cabecinha do filho contra o chão, diante da eminência da morte. Ou como a mãe que entrega o filho ao Universo. Decidi republicar um poema meu que está no blog e também no meu livro, pois encontrei no filme uma correspondência com o poema e ampliei meu entendimento sobre ele. Megalomania? E daí! Chamem do que quiser! Como coloquei no poema Doce Delírio:  A poesia é prima irmã da loucura. Poeta que não acredita em sua produção literária, não tem consciência de sua jornada e deixa a sua luz findar antes do tempo. Mesmo que nenhum poema fique ou seja lido, ele existe no momento em que é escrito. Não sei em que poema usei a expressão "Clara viscosidade do mundo". Mas foi assim que me senti no cinema mergulhada na clara viscosidade do mundo como dentro de um ovo.
 
Fernanda Blaya Figueiró
28 de agosto de 2011



Eis o meu antigo poema:



Fim da Contemporaneidade

Venho por meio deste poema informar que é finda
A Contemporaneidade

Vivemos a estética do todo, a Totalidade, idade do Todo
Nela não cabem mais fronteiras geográficas, étnicas, culturais, lingüísticas
O Todo é o ser humano novo, consciente de sua integração universal e cósmica

Lembrando que há ainda em cada um de nós a pré história, a antiguidade, a idade Média, a modernidade e contemporaneidade
A Totalidade não exclui nem nega as facetas de suas origens
Admite e respeita o homem ancestral e seus conhecimentos
Entende-se como partícula de um organismo maior chamado Planeta Terra
Que por sua vez é partícula de algo que não conhecemos ainda de forma precisa
Chamado, momentaneamente, de Universo

Entende que tudo o que sabe está limitado por sua capacidade cognitiva de perceber

Na medida em que a Totalidade for sendo vivida os segredos serão desvendados
Veremos o que sempre existiu: "A Árvore do Conhecimento”
E saberemos que é infinita, como são as nossas possibilidades de permanência

Os dinossauros vivem entre nós, transmutados em embalagens plásticas
O ser humano viverá no futuro transmutado em poeira cósmica.
Viva a Totalidade!

Viamão, 13 de janeiro de 2010

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