Encontro
Tem algo errado na vibração deste canto
Não se distraia com as aparências
A pureza é um grande farsa
Nenhum ser é mortal
A morte é a continuação
Como sair do cinema no fim do filme
Tudo continua lá
As pessoas ficam muito anormais quando falam sobre si mesmas
Essa onda forte veio do sul ou veio do norte?
Nem de um, nem do outro
Sabe aquele ponto em que parece que tudo já foi dito
Este é o ponto do mergulho
Só que este mergulho também é totalmente inútil
Conheço uma pessoa que quer muito me contar sobre
Seu antigo sofrimento
Mas eu não sei ouvir
Talvez não queira ouvir
Porque falar sobre o sofrimento alimenta toda esta ilusão
( Existem 4 formas de escrever porque, acho isso complicado, escolhi para mim uma:
“Porque”. Todas as outras, no meu texto, são coisas em desuso e tudo que é desuso acaba esquecido.)
Amiga
Põe em desuso teu velho sofrimento
Escolhe uma lembrança, permita-me te ajudar, por exemplo: “ houve na minha infância um belo dia de inverno em que comi bolinhos de chuva enquanto meu bafo embasava as janelas e nelas escrevi: “ um dia vou ser lembrada por esse dia”, tocava uma linda cantilena ao longe e meu café foi servido com leite fresco borbulhante. Sinto ainda este aroma e lembro do aconchego do casaco e de ver as labaredas dançando na boca do fogão.” Põe em desuso os pés frios e molhados, as frestas por onde o vendo frio entrava, a angústia da falta de luz, as coceiras provocadas pela lã de ovelha tecida, a incerteza sobre o futuro... Põe em desuso a onda que bateu na calçada, ou a mão que ofendeu o rosto. Põe em desuso o que tu acha que a vida te deve.
A mim a vida não deve nada
Conheço tantas histórias tristes e vou colocar todas em desuso.
Porque a escolha de uso deste repertório cria uma ilusão pesada
Já que é ilusão pelo menos que seja leve e linda
Só não posso deixar a chapeuzinho e o patinho feio... Todo mundo usa.
Fernanda Blaya Figueiró
20 de julho de 2011
Tem algo errado na vibração deste canto
Não se distraia com as aparências
A pureza é um grande farsa
Nenhum ser é mortal
A morte é a continuação
Como sair do cinema no fim do filme
Tudo continua lá
As pessoas ficam muito anormais quando falam sobre si mesmas
Essa onda forte veio do sul ou veio do norte?
Nem de um, nem do outro
Sabe aquele ponto em que parece que tudo já foi dito
Este é o ponto do mergulho
Só que este mergulho também é totalmente inútil
Conheço uma pessoa que quer muito me contar sobre
Seu antigo sofrimento
Mas eu não sei ouvir
Talvez não queira ouvir
Porque falar sobre o sofrimento alimenta toda esta ilusão
( Existem 4 formas de escrever porque, acho isso complicado, escolhi para mim uma:
“Porque”. Todas as outras, no meu texto, são coisas em desuso e tudo que é desuso acaba esquecido.)
Amiga
Põe em desuso teu velho sofrimento
Escolhe uma lembrança, permita-me te ajudar, por exemplo: “ houve na minha infância um belo dia de inverno em que comi bolinhos de chuva enquanto meu bafo embasava as janelas e nelas escrevi: “ um dia vou ser lembrada por esse dia”, tocava uma linda cantilena ao longe e meu café foi servido com leite fresco borbulhante. Sinto ainda este aroma e lembro do aconchego do casaco e de ver as labaredas dançando na boca do fogão.” Põe em desuso os pés frios e molhados, as frestas por onde o vendo frio entrava, a angústia da falta de luz, as coceiras provocadas pela lã de ovelha tecida, a incerteza sobre o futuro... Põe em desuso a onda que bateu na calçada, ou a mão que ofendeu o rosto. Põe em desuso o que tu acha que a vida te deve.
A mim a vida não deve nada
Conheço tantas histórias tristes e vou colocar todas em desuso.
Porque a escolha de uso deste repertório cria uma ilusão pesada
Já que é ilusão pelo menos que seja leve e linda
Só não posso deixar a chapeuzinho e o patinho feio... Todo mundo usa.
Fernanda Blaya Figueiró
20 de julho de 2011
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