Poema- Outro lugar

Outro lugar

A palavra pertence a um outro plano
A luz do outono deixa
Neste instante amarelas as folhas verdes do matagal

Todos os seres saúdam este instante
Em que o sol se deita
Todos sabem
Que ao fim da noite fria ele retorna

Este breve tempo entre um e outro raio revela a beleza
Da Luz fria da lua
Do pulsar constante das estrelas


Nada
Nada
Nada disso depende de mim

Nada disso me pertence ou
Me diz respeito

Minha água ferveu na chaleira
O ar está denso
É a água evaporada...

A morada das palavras é este espaço que
Não existe
Esse descolamento
Lá vivem os poemas, não os poetas

Os poetas tomam chá e comem pinhão

Os poemas tomam a densidade do ar e comem a
Luz que torna amarela as folhas verdes

Fernanda Blaya Figueiró

22 de maio de 2011

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