Poema - Estava fadado ao...

Estava fadado ao...

Já! Escrevi livro - Grandes coisas
Já! Plantei árvore - Grandes coisas
Já! Criei filhos – Grandes coisas
Já! Tenho o sapato do Outdoor
Já! Tenho o casaco da vitrine
Já! Li o noticiário da manhã

Estou livre do livro
Livro Ponto?
Não, tonto!
De qualquer livro
E pronto!

Restam as coisas pequenas

Não queria comprar doces, não precisava de livros, nem de árvores, nem de sapatos, nem de café... Mas aquele tamborzinho do vendedor ambulante, vindo do Peru...

Precisar? Não precisava!

Só que
O peixinho no tambor faz
glub glub glub e isso é imprescindível
esse glub glub glub é mágico

As bolinhas batem no peixinho e ele faz glub glub glub
A linha faz uma infinita volta e
Na minha cidade as crianças caminham nas ruas de terra

A Terra faz mais uma infinita volta
O peixinho diverte as crianças
glub glub glub

E o fado fica fadado ao fictício fim da linha infinita

Fernanda Blaya Figueiró
25 de maio de 2011

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