Proposta de atividade lúdica.

Oi, gente

a Pedido da Cateventus pensei num atividade bem simples que pode ser utilizada em outros grupos também, vamos praticar o desapego...

Proposição de atividade lúdica com alunos, contadores de história e professores.

Proposição: Solicitar ao grupo que está sendo trabalhado que escreva todo o seu nome, sua idade e o nome do local em que vive e trabalha. Pedir a essas pessoas que olhem um pouco para estes dados e logo em seguida pensem sobre sua trajetória. Então pedir que cada um faça o relato da sua história sob o seguinte mote:
“A sala de aula na minha vida”.
Aí alguns vão perguntar como assim? O que eu tenho que fazer? Eu não entendi direito?... Aqui devemos cuidar para não induzir o pensamento e propor que cada um fale sobre suas experiências como aluno, como educador ou contador de histórias. A ideia seria despertar na pessoa uma consciência sobre o seu fazer diário. Estou lendo o livro “Qual é a tua obra? Mario Sérgio Cortella” - editora vozes, é de fácil leitura e muito interessante. Não custa muito, R$ 21,00 e é bem fácil de conseguir. Poderíamos sugerir como leitura caso alguém queira dar continuidade à reflexão. Ou que a biblioteca da escola ou centro comunitário tenha um exemplar. Até pensei em doar o meu para a Cataventusm, só que com o tempo terei que adquirir novamente e isso acaba se tornando caro.

Outra boa pergunta seria: Como fui me tornando um Contador de histórias?


Importantíssimo seria preparar o grupo para ouvir o outro e não só contar a sua história “Gente arrogante se relaciona com o outro – por conta do dinheiro que carrega, por conta do nível de escolaridade, por conta do sotaque que usa – como se o outro não fosse outro. Fosse menos. “ Mário Sérgio Cortella.

Dentro da ideia de permacultura, que o pessoal do meio ambiente usa, quem quiser pode desenvolver no seu grupo, na sua cidade. A ideia surgiu ao pensarmos sobre desenvolver uma atividade com professores no futuro Forinho, que talvez aconteça em 2012, acho ótimo pois é o ano que temos que cuidar bem da Terra, parece que ela vai "renascer" neste ano. Há uma comissão trabalhando nisso e meu contato com esta comissão é a Cataventus: cataventus@cataventus.org.br. Mas, há um endereço específico para essa organização que é: forinho2012@cataventus.org.br. Qualquer dúvida, sugestão, crítica cronstrutiva deve ser enviada e eles e será bem recebida tenho certeza pois o "grupo" é de feras, gente que já faz trabalho voluntário há muito tempo..

Beijos

Fernanda Blaya Figueiró

9 de maio de 2011

A minha Catarse até já fiz, publiquei depois retirei o post, achei que estava meio longoe um pouco chato.
Mas publico movamente


Memória - Literatura, Política e Educação...

Nunca imaginei que um dia sentiria falta da linguagem da inesquecível Dercy Gonçalves e nem da crítica afiada do saudoso Paulo Francis. O que os dois tinham em comum, não eram nem um pouco comuns. Política e educação são dois assuntos que gosto de observar com uma certa distância, mesmo sendo formada em pedagogia e convivendo com muitos professores, minha mãe era professora, faço contação de histórias e leituras em escolas e centros culturais, trabalhei em uma editora especializada sobre o assunto, no setor de vendas. Sempre achei que era atribuída a educação um poder de transformação muito maior do que o real, acho que isso ajudou a criar alguns mitos entorno do assunto. Já com a política mantenho uma reserva por acreditar que tenho um entendimento muito limitado e por desconfiar de seu poder de envolvimento. Diria que ambas as profissões esbaram em “fogueiras de vaidades”, não mais nem menos dos que as artes e a comunicação. Uma das minhas primeiras grandes decepções com a política aconteceu num ano peculiar, 1982( ano em que a seleção brasileira tinha um dos melhores times do mundo e perdeu o título) e aqui no Rio Grande do Sul Pedro Simon perdia as eleições para Jair Soares por 1% dos votos, além de termos a morte abrupta de Elis Regina, eu era fã incondicional dela. Eu tinha 14 anos e nada entendia de política, de futebol e de educação, mas havia terminado de ler o Tempo e o Vento ( algo que hoje acho que foi precipitado, principalmente a parte do Retrato, em que através do personagem Dr. Rodrigo, Erico Veríssimo dá uma verdadeira aula sobre política, história, educação e diria também de filosofia e alguém com 14 anos não tem como processar toda aquela vasta informação, acredito que eu tenha “lido” mais a parte romântica, que é linda, sem conseguir entender a complexidade das reuniões e diálogos entre os personagens, lembro de ser amplamente discutida a questão do pensamento positivista, entre outras) além de estar lendo A idade da razão e o Muro, de Sartre, abordando assuntos dos mais diversos possíveis da existência, a morte, a guerra, sexualidade. Fiquei profundamente abalada com todas as derrotas e descrente de algumas coisas. Foi no ano seguinte que li alguns fragmentos de Zaratustra e muitos romances, incluindo Lia Luft, Clarisse Linspector. Li uma das melhores cronicas de que tenho recordação Homem da Guerra quem és? De Saint Exupery, nunca mais encontrei o livro que continha este. Na poesia só lia Drumonnd e Manoel Bandeira. Isso tudo na biblioteca do Colégio Roque Gonçalves e na biblioteca municipal de Cachoeira do Sul. Quando entrei no segundo grau tive um sério problema com a literatura, aos livros eram obrigatórios e o estudo voltado para o vestibular. Lá fiz minha primeira opção errada, optei por Laboratório de Análises Químicas ao invés de Auxiliar de Escritório, porque meus amigos todos estariam na química. Perdi a grande chance de aprender datilografia, até hoje “cato milho” e digito olhando para o teclado o que me faz passar muita vergonha, as vezes passo mensagens e publico textos cheios de erros graves, e perder agilidade, além de enrijecer as articulações. Em 1985 casei, aos dezessete anos, casamento que já completou bodas de prata, meu marido estudava direito na PUC e jornalismo na UFRGS, falo pouco nele por sua solicitação. Tive gêmeos João Gabriel e Luiza, que hoje já são ambos advogados. Diretas Já! Tancredo e um Brasil eufórico. Eu estava totalmente mergulhada em fraldas. Me inscrevi no vestibular de psicologia na PUC, que então tinha um teste psicotécnico, no qual não passei, mas onde conheci Tânia Simon. Uma parte da dinâmica era realizada em duplas e eu fiz com ela. Foram apenas alguns dez minutos, mas impressionantes, nunca havia conhecido alguém tão fascinante. Eu na época não teria mesmo como bancar a PUC e acredito que o curso não era para mim. Na verdade eu não sabia exatamente o que queria cursar, algo muito comum entre os jovens. Prestei o vestibular para Pedagogia na UFRGS, passei. Foi uma experiência maravilhosa o curso, principalmente na minha relação com meus filhos e seus amigos, mas no quarto semestre tinha que decidir, continuar, largar, optar por séries iniciais ou por educação pré-escolar. Rodei em uma cadeira e acabei ganhando um semestre para pensar. Optei por concluir o curso com habilitação em educação pré-escolar, acho que em em abril de 1992. Escolha pautada por gostar de contar histórias e da parte mais lúdica da educação. Nos anos seguintes tive pouquíssimo contado com a literatura, só com literatura infantil,em virtude do trabalho. Fiquei atuando pouco tempo como educadora, sentia vontade de fazer algo mais livre. Além de me envolver muito com as situações familiares das crianças, seus problemas, seus conflitos, viravam meus problemas e conflitos, além é lógico de ter meus próprios “leões para abater”. A eleição do Collor e a derrota do Lula foram outras grande decepção para mim e para muita gente. Nunca fui petista mas achava que era um partido sério e votava na legenda e em alguns candidatos. Sempre votei em Jussara Cony (engraçado que não sabia na época de sua ligação com a literatura que hoje nos aproxima nos Saraus), Pedro Simon e Lauro Hagemann. Mas sempre mantive com a política a distância regulamentar, sempre achei que era algo complicado de lidar. Ao retomar o contato com a literatura comecei a construir a idéia de ser uma escritora parei de eliminar meus escritos e passei a mostrar, depois de um período de terapia, outra coisa muito comum. Neste caminho é quase impossível não esbarrar com a política. Porque os conteúdos não se separam eles se tangenciam. Escrever é um ato político. Escrever é um ato pedagógico e com reflexos na sociedade. Se eu quiser realmente escrever de uma forma livre tenho que encontrar em mim a sabedoria de Dercy Gonçalves e de Paulo Francis, não que eu vá atingir a genialidade deles, mas tenho que chegar perto da força expressiva e da coragem. E quem for atuar na política tem que encontrar em si os grandes políticos, quem os levou a este palco? Se alguém me perguntasse: Alguma vez tu pensou em ser comunista? Eu diria que não. Mas já votou no partido, respondo que sim. Eu diria eu sou muito antiga voto nos homens e não no partido, mesmo tentando entender que estes partidos representam uma idéia de mundo e que os homens representam as idéias de seus partidos. Que idéia eu esperava da política e da educação: a Poiésis Socialista, que aprendi lá com o professor de Filosofia de Educação Balduíno Andreóli. A idéia de educação que levasse o homem a ter no trabalho uma gratificação e uma superação, associada a um tempo livre para aproveitar a vida. Uma política que levasse a uma sociedade justa, sem abismos entre classes e sem a privação da liberdade. Pelo menos foi o que pude apreender da leitura das cartas de Antônio Gramsci , isso já faz tempo, pra lá de vinte anos, talvez eu tenha entendido tudo errado... Teria que reler tanta coisa. “É demasiado tarde!” Erico Veríssimo. Ainda bem que inventaram a outra... encarnação... uma parece meio pouco. Ou tudo não passe de peso morto, devo enterrar meu amigo cadáver e seguir mais leve. Lembrei Milan Kundera, tenho na gaveta.

Fernanda Blaya Figueiró
29 de março de 2011

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