A Consulta
-Sr...?
Jesus Cristo
-Fale sobre o que lhe trouxe até aqui?
Bem! Eu sou filho de Deus... Mas também sou Deus!
-Hum!
Desde de que passei quarenta dias no deserto... ando um pouco confuso
-O que aconteceu no deserto?
O Diabo me tentou três vezes... foi duro... mas agüentei firme... Sede, fome, calor, angústia, medo... Ele tomou várias formas, ofereceu inúmeras coisas... Eu, firme.
-Hum!Humm!!! Fale um pouco sobre sua mãe
Minha mãe?... Não tenho o que dizer... minha mãe me concebeu virginalmente, por intervenção do Espírito Santo, que também sou eu e meu pai, na verdade somos uma trindade santa
-Sei!Assim o senhor é o seu próprio pai???
Sim!Não! Não exatamente... Meu Pai é Ele... Minha mãe recebeu uma mensagem Dele através de Gabriel.
-Gabriel?
O anjo da anunciação.
-Fale sobre Gabriel, sua mãe gostava muito dele?
Gabriel é meio “preferidinho” de todo mundo...
- E sua casa
Minha casa é a casa de meu pai... A casa de meu pai tem várias moradas.. Além disso tem os apóstolos
-Apóstolos, seus discípulos?
Perfeitamente, um deles vai me trair e vou ser entregue ao Império Romano, isso tem que acontecer, mas fico um pouco preocupado... Como se meu Pai fosse me abandonar... O senhor não fala nada. Sigmund?
-Acabou a consulta, marque mais um horário e vou estudando seu caso. Mas prefiro Dr Freud, combinado?
Fernanda Blaya Figueiró
5 de março de 2011
Clarividência, dom ou patologia?
Resolvi escrever um pouco sobre o poema “A consulta”, um hipotético e inviável encontro entre dois grandes homens que mudaram, cada um a seu tempo e com sua relevância, a história da humanidade. O processo criativo tem seus próprios caminhos, estava conversando informalmente com meu marido sobre uma idéia que me ocorreu e que é bem comum: que Jesus se viesse ao mundo, nos dias de hoje, seria considerado um louco. Pensei em escrever um artigo sobre isso, mas ao sentar para elaborar a idéia tive algumas dificuldades então recorri ao velho diálogo, tão usado na literatura e na dramaturgia, para ilustrar a situação. O título “A consulta” remeteu diretamente ao diálogo, logo os personagens passam a falar por si mesmos. Ao terminar o poema fiquei com a terrível impressão que de fato estava diante de uma patologia, pelos parâmetros atuais. Busquei mentalmente outros clichês: "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia", William Shakespeare. Alucinações visuais e auditivas, manias de grandeza e perseguição, ou clarevidência, sensibilidade, profecia? “Deus está morto”, Nietzsche, ou "A religião é o ópio do povo", Hegel ou Marx, sei lá! Todos estes grandes homens um dia já debateram e discorreram sobre esse assunto. Para mim, na minha visão pequena e limitada, a clarividência é uma faculdade mental relegada a segundo plano. Nos dias de hoje é muito complicado e até insano ver aquilo que ninguém mais vê, ouvir aquilo que ninguém ouve e sonhar com um outro mundo. Renato Russo, tem uma frase também muito elucidativa: “Parece cocaína mas é só tristeza”. Estados alterados da consciência são experiências muito antigas e renovadoras. É preciso delirar um pouco para “entender” este grande processo que é a vida. “Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa.” Platão. Acho que esta é uma excelente frase para o poema, talvez eu tenha que ter regredido ao ponto de brincar com a idéia para poder quem sabe evoluir e construir algo mais significativo. Tem duas maneiras de se acreditar em Deus, uma é pela educação, alguém nos fala sobre ele e passamos a acreditar e a outra é pela experiência. Certa vez, eu era muito pequena, e meus pais nos levaram para brincar na pracinha em frente a catedral de minha cidade natal, Cachoeira do Sul, quando voltávamos para casa, entramos na igreja, lembro que usava roupas simples e tinham os pés sujos de areia. Sentamos nos últimos bancos do lado direito e de lá eu assisti algo incrível, a transformação do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Deus Nosso Senhor. Eu vi! Eu Creio no que vi. Mas, isso não me torna cega para ver outras coisas. Isso me torna irmã de Jesus, aquele que também via. Isso me permite brincar com todas estas possibilidades sem ofender a ninguém.
Fernanda Blaya Figueiró
6 de março de 2011
-Sr...?
Jesus Cristo
-Fale sobre o que lhe trouxe até aqui?
Bem! Eu sou filho de Deus... Mas também sou Deus!
-Hum!
Desde de que passei quarenta dias no deserto... ando um pouco confuso
-O que aconteceu no deserto?
O Diabo me tentou três vezes... foi duro... mas agüentei firme... Sede, fome, calor, angústia, medo... Ele tomou várias formas, ofereceu inúmeras coisas... Eu, firme.
-Hum!Humm!!! Fale um pouco sobre sua mãe
Minha mãe?... Não tenho o que dizer... minha mãe me concebeu virginalmente, por intervenção do Espírito Santo, que também sou eu e meu pai, na verdade somos uma trindade santa
-Sei!Assim o senhor é o seu próprio pai???
Sim!Não! Não exatamente... Meu Pai é Ele... Minha mãe recebeu uma mensagem Dele através de Gabriel.
-Gabriel?
O anjo da anunciação.
-Fale sobre Gabriel, sua mãe gostava muito dele?
Gabriel é meio “preferidinho” de todo mundo...
- E sua casa
Minha casa é a casa de meu pai... A casa de meu pai tem várias moradas.. Além disso tem os apóstolos
-Apóstolos, seus discípulos?
Perfeitamente, um deles vai me trair e vou ser entregue ao Império Romano, isso tem que acontecer, mas fico um pouco preocupado... Como se meu Pai fosse me abandonar... O senhor não fala nada. Sigmund?
-Acabou a consulta, marque mais um horário e vou estudando seu caso. Mas prefiro Dr Freud, combinado?
Fernanda Blaya Figueiró
5 de março de 2011
Clarividência, dom ou patologia?
Resolvi escrever um pouco sobre o poema “A consulta”, um hipotético e inviável encontro entre dois grandes homens que mudaram, cada um a seu tempo e com sua relevância, a história da humanidade. O processo criativo tem seus próprios caminhos, estava conversando informalmente com meu marido sobre uma idéia que me ocorreu e que é bem comum: que Jesus se viesse ao mundo, nos dias de hoje, seria considerado um louco. Pensei em escrever um artigo sobre isso, mas ao sentar para elaborar a idéia tive algumas dificuldades então recorri ao velho diálogo, tão usado na literatura e na dramaturgia, para ilustrar a situação. O título “A consulta” remeteu diretamente ao diálogo, logo os personagens passam a falar por si mesmos. Ao terminar o poema fiquei com a terrível impressão que de fato estava diante de uma patologia, pelos parâmetros atuais. Busquei mentalmente outros clichês: "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia", William Shakespeare. Alucinações visuais e auditivas, manias de grandeza e perseguição, ou clarevidência, sensibilidade, profecia? “Deus está morto”, Nietzsche, ou "A religião é o ópio do povo", Hegel ou Marx, sei lá! Todos estes grandes homens um dia já debateram e discorreram sobre esse assunto. Para mim, na minha visão pequena e limitada, a clarividência é uma faculdade mental relegada a segundo plano. Nos dias de hoje é muito complicado e até insano ver aquilo que ninguém mais vê, ouvir aquilo que ninguém ouve e sonhar com um outro mundo. Renato Russo, tem uma frase também muito elucidativa: “Parece cocaína mas é só tristeza”. Estados alterados da consciência são experiências muito antigas e renovadoras. É preciso delirar um pouco para “entender” este grande processo que é a vida. “Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa.” Platão. Acho que esta é uma excelente frase para o poema, talvez eu tenha que ter regredido ao ponto de brincar com a idéia para poder quem sabe evoluir e construir algo mais significativo. Tem duas maneiras de se acreditar em Deus, uma é pela educação, alguém nos fala sobre ele e passamos a acreditar e a outra é pela experiência. Certa vez, eu era muito pequena, e meus pais nos levaram para brincar na pracinha em frente a catedral de minha cidade natal, Cachoeira do Sul, quando voltávamos para casa, entramos na igreja, lembro que usava roupas simples e tinham os pés sujos de areia. Sentamos nos últimos bancos do lado direito e de lá eu assisti algo incrível, a transformação do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Deus Nosso Senhor. Eu vi! Eu Creio no que vi. Mas, isso não me torna cega para ver outras coisas. Isso me torna irmã de Jesus, aquele que também via. Isso me permite brincar com todas estas possibilidades sem ofender a ninguém.
Fernanda Blaya Figueiró
6 de março de 2011
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