Poema- Abandono

Abandono

A casa estava tão vazia com
Todas as salas enigmaticamente fechadas
Que estéril fevereiro este
Por onde andam todos?

Todos os quadros
Todas as peças
Todos os livros
Todas as melodias e movimentos

Tudo está suspenso e empoeirado

Que queres?
Uma carta
Não! A partida terminou para mim
Um Café?
Não! Faz muito calor
Um beijo?
Não! Gastei todos

Que estranhas questões guardam os nomes
Você não precisa me escutar
Não restou nada para ser dito
Pouco importa se sou fulana, beltrana ou sicrana de tal
Esse pó na mobília
É testemunha

Fernanda Blaya Figueiró
20 de fevereiro de 2011

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