Um conto de Natal: O Espírito

Um conto de Natal : O Espírito


Muitas histórias já foram contadas sobre o Natal, época em que as pessoas costumam celebrar. Com o passar do tempo esta festividade perdeu seu sentido primeiro, que era o de comemorar o nascimento de Jesus. O Natal passou a ter muitos significados e a fazer parte da vida de quase todas as pessoas do mundo. O Mundo? É como se chama o Planeta Terra e todos os seus habitantes.
Pois foi no velho e bom Mundo que esta história aconteceu. Era dezembro, aproximava-se o Natal e ele fervia. Em todos os lugares as pessoas, os animais, as plantas, as pedras, tudo que existia
parecia entrar em um transe, que alguns chamavam de Espírito de Natal. Era impossível escapar!
Melodias, aromas no ar, conversas, roupas, festas, eram iguais, todas iguais! O Planeta Terra dava mais uma volta, como sempre fazia, a lua, o sol e as estrelas ocupavam placidamente seus lugares. Quando tudo parou. Subitamente as pessoas ficaram presas ao que estavam fazendo. Um homem confeitava bolos e assim permaneceu. Um cachorro levantava a perna para fazer xixi e não conseguia mais baixá-la. O xixi do cachorro ficou pendurado como um arco. Uma velhinha bebia conhaque. Um mendigo juntava folhas de papel... Só que os espíritos de todas os corpos, a alma, aquela que anima e dá consciência, esta permaneceu acordada. O tempo continuou , já que o planeta rodava com tudo que havia nele parado, até o mar ficou com as ondas paradas. Mas o espírito das ondas ficou acordado. Os corpos paralisados , sem seus espíritos, eram brutos e pesados. Até um pouco feios. Os espíritos presos, pela paralisia dos corpos, eram sem graça. Até um pouco inacreditáveis. O tempo foi passando e o dia de Natal se aproximando. Tudo continuava parado. Os corpos só sabiam responder a seus espíritos e os espíritos só sabiam animar os corpos. Acabaram as palavras, os aromas, as melodias, as festas. Do chão da Terra veio o Espirito do Mundo e foi olhando para cada coisa e pessoa. Com um olhar severo mas benevolente, que mais parecia uma grande lupa, procurando os detalhes das coisas. - Como sou bonito! Ele disse, soltando uma boa gargalhada... Os espíritos das coisas e pessoas, olharam para ele e sorriram. - Como somos bonitos! Até o xixi do cachorro se achou bonito e perfeito. As ondas se acharam brilhantes, o mar se achou gorducho, a velhinha se achou elegante, o conhaque se achou forte, o mendigo se achou digno, o papel se viu um poema, o confeiteiro se encontrou perfumado. O planeta se viu iluminado, a lua se achou romântica, o sol se encontrou poderoso. O Espírito do Mundo saiu do transe e quando o Natal
chegou se viu velhinho e sábio. Todas as coisas e corpos andavam livremente, só que mais donas de si. A verdade é que este conto poderia ter acontecido em qualquer dia, mas foi um presente que o Espírito do Natal concedeu ao Espírito do Mundo.

Fernanda Blaya Figueiró,
Viamão, 23 de dezembro de 2010

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