Poema

Ditado

Abri um antigo arquivo empoeirado e
Pareceu que algo ficou sem ser dito
O tempo engoliu as palavras não ditas
Os fatos não esclarecidos
As coisas que ficaram de fora
As propostas não cumpridas
Os sonhos delirantes
Faltou atar tudo
O dito com o não dito
O acontecido com o esquecido
Quanta coisa
Ficou desatada vagando no ar
Lembrei agora um certo horror a Ditados
Todas as palavras com X vermelho morriam
Entre os dentes do ditador e a marca do lápis na
Folha amarelada de caderno antigo
Alguma coisa que não combinava
Entre o que a boca de um dizia
E o ouvido do outro entendia
Alguém sabe o que pensava a cobrinha
que marcava a palavra acertada?
“Indamais” quando a palavra acertada parecia
toda errada e a palavra errada parecia acertada
Acho que é por isso que as vezes não é a boca quem diz,
São os olhos! Ou o cheiro no ar.
A boca tem medo de dizer a palavra acertada e ela parecer errada
No ouvido do outro e alguém colocar tudo no papel ao contrário
Do que deveria

02 de agosto de 2010
Fernanda Blaya Figueiró

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