Um poema novo

Era findo...

Meu tempo nesta terra

Minha mala estava pronta e aguardava a hora de embarcar

Nela não cabia nenhuma mágoa

Nenhuma recordação pesada

Os pequenos erros que deixei para trás

Foram varridos pelo vento e

De mim ficou apenas a lembrança vaga

De uma figura que as vezes sorria

Estranho segundo este antes do embarque

Meus sapatos eram confortáveis e meu vestido simples

Tocava uma suave música saída de uma caixa com cordas

Os dedos ágeis do jovem contavam uma bela história de amor

O guardanapo do maitre polia no cristal alguma melancolia

Havia uma flor perfumada na entrada da estação e um

Cartaz na vidraça: - Seus sapatos carregam um pouco deste chão. Aqui você será sempre bem vindo.

Bem vindo, bem partido...

Ao soar do apito uma porta se abriu e tudo isso foi ficando sem sentido

Restou um ticket não furado e esse triste prelúdio de história nenhuma

Eu não mais pertenço a este lugar mesmo que nunca tendo embarcado

Você não pode me ver mas inda estou aqui.


Viamão,3 de julho de 2010

Fernanda Blaya Figueiró

Comments

M a i r a said…
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