Crônica

Uma oração para Eliza!


O Brasil está triste com os fatos envolvendo o desaparecimento de uma moça, os detalhes assustadores, envolvendo tortura, seqüestro e sua provável morte. Tudo pelo motivo mais antigo de todos: o dinheiro. Acho que neste momento deveríamos orar por ela, cada um dentro de sua fé. Por ela e por todas as outras pessoas atingidas pela violência. Se existe Deus, vida após a morte, alma. Isso é uma outra questão, deveríamos rezas, mesmo assim, crendo ou não. E nessa conexão com algo maior poderíamos tentar imaginar, em que momento as coisas poderiam ter sido evitadas? Para mim este é um ponto crucial em uma oração, ou reflexão. Tenho assistido a muitos documentários, filmes e releitura da segunda guerra mundial. Toda a vez que termino de assistir me vem duas imagens , a primeira é como seria o mundo hoje se esses fatos não houvessem acontecido. Quem teriam se tornado aquelas pessoas que morreram. E a segunda é como podemos identificar os caminhos que levaram aquela cadeia de ações, para evitar que essas coisas aconteçam novamente. Um homem que mata a amante por dinheiro não é uma novidade. Um grupo de homens que tortura uma pessoa por prazer também não. Nem uma mulher que sabe de tudo e cala. Em que momento da vida dessa moça o trem descarrilou? Em que momento na vida deste jovem ele passou a acreditar que tinha o poder de destruir uma vida? Qual a dinâmica que levou um grupo tão grande de pessoas a agir com tamanha crueldade? Senti uma imensa vontade de orar por essas pessoas todas, para que uma luz iluminasse o caminho delas. Principalmente para que preenchesse o coração deste menino, rejeitado pelo pai, órfão de mãe e que provavelmente é o único que sabe a verdade. Já que a mente entorpecida dos demais deve ter distorcido muito esta história. Acho que a lição que tiramos deste evento é que ele pode voltar a repetir, com outra pessoa, mas em algum momento uma palavra, uma ação eficaz de alguém pode mudar o curso dos fatos. Nós estamos o tempo todo criando o mundo. Se hoje ele está tão feinho é porque pensamos ele assim. Vamos pensar um mundo mais fraterno para que ele se torne uma realidade.

Viamão, 10 de julho de 2010
Fernanda Blaya Figueiró

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