Texto do Jornal Correio Rural

Bom dia!

Este texto, de minha autoria, foi publicado no jornal Correio Rural, na edição de 24/12/2009.É uma pequena reflexão que posto aqui, para os leitores que não são de Viamão.
Um abraço,

Fernanda Blaya Figueiró

Ouro, incenso e mirra.


Nesta época do ano somos levados a refletir sobre os eventos do Natal, neste texto gostaria de focar na necessidade que temos de adorar e reverenciar. Sem a conotação pejorativa que algumas vezes estas palavras acabam tendo e também sem uma conotação dogmática ou religiosa, abordando o tema sob uma ótica de Jesus histórico. Os Três Reis Magos seguem a estrela de Belém até encontrar a Sagrada Família e prestar sua homenagem com seus tesouros, que são o ouro, o incenso e a mirra, identificando em Jesus uma pessoa especial. Três pessoa dotadas de sabedoria viajam pelo mundo até encontrar um ser humano especial. Tão especial que dividiu a história da humanidade em duas partes, para uma grande parcela de historiadores e por um longo período de tempo. Se três reis magos fossem nos dias de hoje procurar um homem especial, como seria este homem e quais seriam os tesouros oferecidos? Esta é uma das perguntas que surgem nesta reflexão. Passados dois mil e nove anos ainda enfrentamos as mesmas questões sociais, o evento recente da menina humilhada em uma faculdade por usar uma saia curta, por exemplo, lembra a prostituta apedrejada e salva por Jesus; o Império Romano que dominava grande parte do mundo, lembra, resguardadas as proporções, o Império Americano. Computador, petróleo e o Carro do ano poderiam ser oferecidos hoje como os bens mais valiosos da nossa sociedade, os presentes dignos de um rei, que representam o ápice de nossa tecnologia. Um ser humano especial seria aquele que conseguisse conduzir a um novo tempo, como a estrela que levou os reis a manjedoura. Nietzsche enfatizou em vários textos que o homem precisa ser superado, é preciso nascer um novo ser humano, para ser adorado. Novos paradigmas devem sustentar este novo milênio, tão tenro ainda, esse novo ser humano dorme no coração de cada um de nós. Dorme nas palavras sábias de Ghandi, de Jesus, de Buda, de Jacó, de Maomé, dos Orixás, de Madre Tereza de Calcutá, de Paulo Freire, de inúmeros homens ( homens e mulheres) que pregaram, cada um em seu tempo e sua linguagem a paz. O que eu gostaria desta nova sociedade é que houvesse lugar para adoração, sem opressão. Que houvesse lugar para as diferenças, mas não houvesse para a injustiça social. Que permitisse o surgimento de ícones, mas não permitisse a exploração de outros seres. Se não conseguimos pensar, ainda, em uma estrutura social sem impérios, então que estes impérios sejam justos, bem administrados e atendam os direitos humanos universais. A Natureza dá ao homem tudo o que ele precisa para sobreviver, que o homem saiba retribuir, colocando sua Sabedoria a serviço da natureza e da vida. Esta seria nossa jornada pelo deserto, seguindo uma estrela e chegando a um novo ser, nascido da luz do pensamento e da sabedoria dos homens. Quanto ao Jesus Divino, é uma questão de fé, eu acredito, mas respeito aquele que não acredita. Que possamos juntos admirar Jesus, Deus ou Homem.

Fernanda Blaya Figueiró

Viamão, 9 de dezembro de 2009.

Comments

zaira said…
Fernandinha, adoro o q tu escreves, destilas os sentimentos retirando o sumo.Tudo perfeito. Frases curtas, palavras lapidadas, dignas do editorial da ZH. Aproveita, ainda dá tempo.
Parabéns pelo texto !