Rosas e chocolate
Ela aproximou-se do caixa, com os produtos que havia escolhido.
- Precisa de mais alguma coisa?
- Não! – Só das rosas e do chocolate. Vermelhas! As rosas. Preto! O chocolate...
Mostrou a ele a beleza deste contraste.
- É para presente?
- Não... Ou, melhor, sim... Um presente para mim.
- É seu aniversário?
- È.
Ele ficou em silêncio por alguns minutos, depois com um sorriso lhe desejou felicidade. Ela agradeceu e saiu levando o pacote. Foi a única pessoa com quem falou naquele dia, além de suas flores. Estava muito feliz! As gloxicinias abriram bem no seu aniversário, não podia esperar um presente melhor. Teve pena dele, parecia tão confuso, atarefado, de sua janela viu quando soltou e o tempo que ficou esperando pelo ônibus. Tão novinho e tão ambicioso, tinha nos olhos uma indignação, de vencedor. Seria um vencedor... Acendeu uma velinha para iluminar seu caminho, para que conseguisse vencer sem se perder, sem amargurar, como tinha acontecido com seu pai. A vida tinha lhe corrompido a alma... Como eram parecidos, chegava a arrepiar. Tudo podia ter sido mais fácil para ele... Escolheu bem a casa, sabia que o casal não conseguia ter filhos, eram bem empregados, pareciam tão felizes, mas o casamento durou pouco. O menino ficou levando uma vida difícil. Melhor do que a vida que levaria na sombra do pai, ela não tinha remorso. Não podia ter ficado com ele. Quando o pai saísse da cadeia os encontraria. Mataria os dois, como matou a mãe dele. Se soubesse que ele viveria tão poucos anos e que nunca sairia da cadeia teria ficado com o menino. Pena que a gente nunca sabe o que vai acontecer... Não quis estragar tudo, remexendo em histórias antigas. Não teve coragem de por filho no mundo, disso tinha um pouco de remorso. Que dissipava quando suas flores abriam. Ele vai ficar bem, já é homem feito, trabalha, anda na linha... Acendeu mais uma velinha, para que a linha ficasse bem visível e ele continuasse assim, no caminho.
Viamão, 9 de outubro de 2009
Fernanda Blaya Figueiró
Ela aproximou-se do caixa, com os produtos que havia escolhido.
- Precisa de mais alguma coisa?
- Não! – Só das rosas e do chocolate. Vermelhas! As rosas. Preto! O chocolate...
Mostrou a ele a beleza deste contraste.
- É para presente?
- Não... Ou, melhor, sim... Um presente para mim.
- É seu aniversário?
- È.
Ele ficou em silêncio por alguns minutos, depois com um sorriso lhe desejou felicidade. Ela agradeceu e saiu levando o pacote. Foi a única pessoa com quem falou naquele dia, além de suas flores. Estava muito feliz! As gloxicinias abriram bem no seu aniversário, não podia esperar um presente melhor. Teve pena dele, parecia tão confuso, atarefado, de sua janela viu quando soltou e o tempo que ficou esperando pelo ônibus. Tão novinho e tão ambicioso, tinha nos olhos uma indignação, de vencedor. Seria um vencedor... Acendeu uma velinha para iluminar seu caminho, para que conseguisse vencer sem se perder, sem amargurar, como tinha acontecido com seu pai. A vida tinha lhe corrompido a alma... Como eram parecidos, chegava a arrepiar. Tudo podia ter sido mais fácil para ele... Escolheu bem a casa, sabia que o casal não conseguia ter filhos, eram bem empregados, pareciam tão felizes, mas o casamento durou pouco. O menino ficou levando uma vida difícil. Melhor do que a vida que levaria na sombra do pai, ela não tinha remorso. Não podia ter ficado com ele. Quando o pai saísse da cadeia os encontraria. Mataria os dois, como matou a mãe dele. Se soubesse que ele viveria tão poucos anos e que nunca sairia da cadeia teria ficado com o menino. Pena que a gente nunca sabe o que vai acontecer... Não quis estragar tudo, remexendo em histórias antigas. Não teve coragem de por filho no mundo, disso tinha um pouco de remorso. Que dissipava quando suas flores abriam. Ele vai ficar bem, já é homem feito, trabalha, anda na linha... Acendeu mais uma velinha, para que a linha ficasse bem visível e ele continuasse assim, no caminho.
Viamão, 9 de outubro de 2009
Fernanda Blaya Figueiró
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