A loucura como uma metáfora poética
Quando um poeta diz o sol é azul
Temos uma metáfora
Digo nos verdes prados dos meus olhos
Dormem a gazela e o leopardo
Nunca sei bem qual deles há de acordar
Primeiro
Tenho ladeado a loucura, como um olhar
Poético
- Essa mulher é louca? – perguntam-me com uma malícia muito antiga
- É da parte da Santa Inquisição? – respondo, sem susto
Quando uma bruxa senta ao lado de um padre
Sentam com eles milênios de preconceito e opressão
Esses poderosos inquisidores tinham por hábito
Jogar na fogueira toda e qualquer mulher que ousasse
Pensar, falar, amar, dançar, pintar a boca,
As devassas!
Senti que minha poesia foi usada contra mim
Ainda bem que nos conhecemos profundamente e
Nada se coloca entre nós, nenhum abismo colossal
Feito de ódio ira nos envenenar.
A poesia como metáfora poética é libertadora
Não confessional
Confesso que tenho pena de alguém que
Acredita ter nas mãos a chave da porta do céu e do inferno
Quando tem apenas uma belíssima metáfora
Senti na pele o fogo do preconceito e peço, gentilmente,
Não me tomem para Cristo, nem me convide para ser o
Churrasco de suas Cruzadas.
Palavras cruzadas, que fique claro.
Viamão, 4 de agosto( mês de cães doidos) de 2009.
Fernanda Blaya Figueiró
Quando um poeta diz o sol é azul
Temos uma metáfora
Digo nos verdes prados dos meus olhos
Dormem a gazela e o leopardo
Nunca sei bem qual deles há de acordar
Primeiro
Tenho ladeado a loucura, como um olhar
Poético
- Essa mulher é louca? – perguntam-me com uma malícia muito antiga
- É da parte da Santa Inquisição? – respondo, sem susto
Quando uma bruxa senta ao lado de um padre
Sentam com eles milênios de preconceito e opressão
Esses poderosos inquisidores tinham por hábito
Jogar na fogueira toda e qualquer mulher que ousasse
Pensar, falar, amar, dançar, pintar a boca,
As devassas!
Senti que minha poesia foi usada contra mim
Ainda bem que nos conhecemos profundamente e
Nada se coloca entre nós, nenhum abismo colossal
Feito de ódio ira nos envenenar.
A poesia como metáfora poética é libertadora
Não confessional
Confesso que tenho pena de alguém que
Acredita ter nas mãos a chave da porta do céu e do inferno
Quando tem apenas uma belíssima metáfora
Senti na pele o fogo do preconceito e peço, gentilmente,
Não me tomem para Cristo, nem me convide para ser o
Churrasco de suas Cruzadas.
Palavras cruzadas, que fique claro.
Viamão, 4 de agosto( mês de cães doidos) de 2009.
Fernanda Blaya Figueiró
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