Morreu na casca
Belminda! Oh, Belminda! Traz, logo, o meu casaco, mulher! Hoje, eu acabo com essa cobra, antes que se crie. Devia ter morrido, na casca, a infeliz..!. Imagina que essa bruxa, pois isso só pode ser uma bruxa! Imagina que quer exibir, em Cafundós, essa tal peça de teatro. Essa mulher, histérica, não passa de uma louca desvairada! Nem por cima do meu cadáver! Peça de teatro? Uma ova! Isso, na verdade, é uma ironia de nosso candidato a dirigente do Cafundó Futebol Clube. Belminda, o meu sapato, olha! Tu não tá vendo? Tem caca de cachorro, no meu sapato... Anota isso, nessa tua cabeça de vento:Eu, Vagner do Nascimento de Azambuja, mando em Cafundós de Judas, há mais de cinqüenta anos. Tudo! Mas, tudo que acontece, nessa cidade, tem que passar por mim. Agora, vem essa fedelha, que até meio índia é, querendo fazer a cabeça do povo, com essa idiotice de peça sobre abóboras. Eu estou na estrada... Ninguém me engana... ! As abóboras que a diabinha fala são as minhas melancias. Não construí um império, A Melancias Companhia Limitada, para virar “personagem”. Para rirem de mim. O padre vai, o secretário da saúde vai e, hoje, fechamos, definitivamente, aquela espelunca. Uma espelunca. Belminda, já chamou o carro? Onde está... Não! O crachá, cabeça de vento! Como vou sair, sem o meu Crachá? Há cinqüenta anos, eu uso o meu crachá, de sócio honorário do Cafundó Futebol Clube. O olheiro já me disse quem está no tal “espetáculo”, vou querer uma lista completa, com fotografias, de todos os “alcagüetes” que sentarem a bunda para ver essa tal peça de teatro. O infeliz, que soltar uma só risadinha, mas vai levar uma bordoada, vai rolar cabeças, por aquela escada, que nem a revolução francesa podia imaginar. Cobra se mata na casca, eu sempre digo, não dá para deixar se criar. Como? Tem certeza? Deputado Federal? Como? Mas, quem deixou isso acontecer? Belminda! Tu sabia disso? O borra botas está na cidade! Isso é coisa dessa bruxa... Manda embora esse carro, eu não sento na mesma sala que esse traste... Bom mesmo era o tempo da inquisição!
Viamão, 05 de agosto de 2009
Fernanda Blaya Figueiró
Revisado por Angelita Soares
Belminda! Oh, Belminda! Traz, logo, o meu casaco, mulher! Hoje, eu acabo com essa cobra, antes que se crie. Devia ter morrido, na casca, a infeliz..!. Imagina que essa bruxa, pois isso só pode ser uma bruxa! Imagina que quer exibir, em Cafundós, essa tal peça de teatro. Essa mulher, histérica, não passa de uma louca desvairada! Nem por cima do meu cadáver! Peça de teatro? Uma ova! Isso, na verdade, é uma ironia de nosso candidato a dirigente do Cafundó Futebol Clube. Belminda, o meu sapato, olha! Tu não tá vendo? Tem caca de cachorro, no meu sapato... Anota isso, nessa tua cabeça de vento:Eu, Vagner do Nascimento de Azambuja, mando em Cafundós de Judas, há mais de cinqüenta anos. Tudo! Mas, tudo que acontece, nessa cidade, tem que passar por mim. Agora, vem essa fedelha, que até meio índia é, querendo fazer a cabeça do povo, com essa idiotice de peça sobre abóboras. Eu estou na estrada... Ninguém me engana... ! As abóboras que a diabinha fala são as minhas melancias. Não construí um império, A Melancias Companhia Limitada, para virar “personagem”. Para rirem de mim. O padre vai, o secretário da saúde vai e, hoje, fechamos, definitivamente, aquela espelunca. Uma espelunca. Belminda, já chamou o carro? Onde está... Não! O crachá, cabeça de vento! Como vou sair, sem o meu Crachá? Há cinqüenta anos, eu uso o meu crachá, de sócio honorário do Cafundó Futebol Clube. O olheiro já me disse quem está no tal “espetáculo”, vou querer uma lista completa, com fotografias, de todos os “alcagüetes” que sentarem a bunda para ver essa tal peça de teatro. O infeliz, que soltar uma só risadinha, mas vai levar uma bordoada, vai rolar cabeças, por aquela escada, que nem a revolução francesa podia imaginar. Cobra se mata na casca, eu sempre digo, não dá para deixar se criar. Como? Tem certeza? Deputado Federal? Como? Mas, quem deixou isso acontecer? Belminda! Tu sabia disso? O borra botas está na cidade! Isso é coisa dessa bruxa... Manda embora esse carro, eu não sento na mesma sala que esse traste... Bom mesmo era o tempo da inquisição!
Viamão, 05 de agosto de 2009
Fernanda Blaya Figueiró
Revisado por Angelita Soares
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