Limite
Eu sou uma pessoa limitada. Como é bom ter essa consciência.
Hoje pensava nos livros que nunca consegui ler
Prolegômenos a Toda a Metafísica Futura -Immanuel Kant
Senti falta de ar
Noite - Érico Veríssimo
Fiquei perdida
Dom Quixote - Miguel de Cervantes y Saavedra
Preguiça
O Processo – Kafka
Ansiedade e nervosismo
A Bíblia
Uma vez tentei ler de cabo a rabo, será que alguém já fez isso?
Minha relação com a leitura é truncada,
Minha escrita acaba sendo: truncada.
Às vezes quero um fragmento e não encontro, pois esqueci a referência.
Tem uma cena: Um farelo de biscoito caindo numa xícara de chá e abrindo um universo...? O Livro tinha uma encadernação bonita, vermelha. Uma vez achei que fosse de Madame Bovary... As vezes acho que é Proust – Estamos sem Bibliotecas aqui em Viamão – Li essa passagem na biblioteca de Cachoeira, acho, ou do Colégio Roque Gonçalves. O livro era ótimo, não li, não lembro por quê. Outro começava assim: - Chove sobre Santiago! - achei maravilhoso esse início.
Quando eu era pequena lia sistematicamente o mesmo poema, de Manuel Bandeira, o Pardalzinho. Sempre tive um íntimo contato com textos.
Houve um tempo em que eu achava que a qualidade dos meus pensamentos não era boa, eu tinha quatorze anos (o que explica muito essa sensação), achava que meu íntimo era feio. Passei muito tempo alienada do mundo, cultivando um mundo interno, até ler: O Quarto, Sartre, no livro O Muro... Senti uma imensa angústia de imaginar alguém vendo minhas estátuas, me senti como Pierre, achei uma invasão “Yve” ( acho que é esse o nome da personagem) invadir a sua loucura daquela forma. Isso me fez sair do meu enclausuramento. Imaginar que alguém pudesse entrar na minha mente. Hoje rio disso e publico poemas na internet, minhas estátuas. Só que com um grau ainda muito elevado de, autos e baixas, estima e uma censura pesada, ainda não é catarse. Tenho escrito com muita freqüência uma sentença: - A quem eu estou enganando?
Viamão, 19 de maio de 2009.
Fernanda Blaya Figueiró
Eu sou uma pessoa limitada. Como é bom ter essa consciência.
Hoje pensava nos livros que nunca consegui ler
Prolegômenos a Toda a Metafísica Futura -Immanuel Kant
Senti falta de ar
Noite - Érico Veríssimo
Fiquei perdida
Dom Quixote - Miguel de Cervantes y Saavedra
Preguiça
O Processo – Kafka
Ansiedade e nervosismo
A Bíblia
Uma vez tentei ler de cabo a rabo, será que alguém já fez isso?
Minha relação com a leitura é truncada,
Minha escrita acaba sendo: truncada.
Às vezes quero um fragmento e não encontro, pois esqueci a referência.
Tem uma cena: Um farelo de biscoito caindo numa xícara de chá e abrindo um universo...? O Livro tinha uma encadernação bonita, vermelha. Uma vez achei que fosse de Madame Bovary... As vezes acho que é Proust – Estamos sem Bibliotecas aqui em Viamão – Li essa passagem na biblioteca de Cachoeira, acho, ou do Colégio Roque Gonçalves. O livro era ótimo, não li, não lembro por quê. Outro começava assim: - Chove sobre Santiago! - achei maravilhoso esse início.
Quando eu era pequena lia sistematicamente o mesmo poema, de Manuel Bandeira, o Pardalzinho. Sempre tive um íntimo contato com textos.
Houve um tempo em que eu achava que a qualidade dos meus pensamentos não era boa, eu tinha quatorze anos (o que explica muito essa sensação), achava que meu íntimo era feio. Passei muito tempo alienada do mundo, cultivando um mundo interno, até ler: O Quarto, Sartre, no livro O Muro... Senti uma imensa angústia de imaginar alguém vendo minhas estátuas, me senti como Pierre, achei uma invasão “Yve” ( acho que é esse o nome da personagem) invadir a sua loucura daquela forma. Isso me fez sair do meu enclausuramento. Imaginar que alguém pudesse entrar na minha mente. Hoje rio disso e publico poemas na internet, minhas estátuas. Só que com um grau ainda muito elevado de, autos e baixas, estima e uma censura pesada, ainda não é catarse. Tenho escrito com muita freqüência uma sentença: - A quem eu estou enganando?
Viamão, 19 de maio de 2009.
Fernanda Blaya Figueiró
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