Seis bilhões e meio de habitantes.

Um novo conto!
Beijos,
Fernanda

Seis bilhões e meio de habitantes.

A chave foi entrando na fechadura, o giro mágico abriria um universo de possibilidades. Chega uma hora em que não há mais retorno e um novo caminho aparece entre névoas.
O Planeta Terra já estava contando com, aproximadamente, seis bilhões e meio de habitantes, e ela não encontrava um único para conversar. Um sufocante desconforto invadiu seu corpo: - Juro que esta foi minha última tentativa... – mentiu para si mesma. As frases, os fatos, as ausências desfilavam, indefinidamente, por sua mente exausta. O telefone sinalizava uma nova ligação. Resolveu assumir o fim: apagar! A caixa de mensagens guardava mais um extenso monólogo, sem pensar, sinalizou: - “Lixo eletrônico!”.
O espelho mostrou um olhar apreensivo, mas aliviado. Não teria mais planos e nem compromissos. Sobrava pouca coisa para pensar... A festa de quinze anos da neta, o drama da novela das seis, ou, as trágicas mortes no noticiário das nove.
Um poema, uma música, uma caminhada... O perfume das flores, o gosto das frutas, os dramas dos “espíritos desencarnados”, contados em páginas de livros; o amparo aos “mal encarnados”, por caridade. Parecia tão fácil resolver os problemas do mundo... Todos os problemas são criados para colocar a vida em movimento.
Sobre a estante estava o convite: grandes laços de fita emolduravam letras douradas -quinze anos. Na televisão a vida problemática, de personagens fictícias, movimentava uma grande máquina. Sobre a mesa, no jornal, as maldades da vida real, e as fofocas, dividiam o espaço e a atenção do leitor. Ah! A programação cultural - problemas e conflitos - no teatro, no cinema, nas escolas de dança, ou nos museus . E, as previsões do futuro, amplamente calcadas nos conhecimentos do passado. Nada de novo! Nada de surpreendente... Que bom, a vida continuava exatamente como é... Tudo estava no seu devido lugar, sem solavancos ou surpresas.
O que faria com todas aquelas palavras que a rodeavam? Libertaria! Como se libertam um espírito do outro, fundindo-se ao ar.

Viamão, 22 de dezembro de 2008.
Autoria: Fernanda Blaya Figueiró

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