Poemas Novos

Poemas novos
Eu vinha pensando em fazer um novo livro... Mas, acho que é bobagem, então vou publicar essas coisas aqui mesmo. Paciência!!

São todos contos e poemas meus, dos dois últimos meses.


Estou incomodando, eu sei...


Cleópatra falava em pobreza
Jesus falava em pobreza
Buda falava em pobreza
Hitler flava em pobreza
Ghandi falava em pobreza
Marx ... Pobreza...
Lady Di
Mil, três mil , quatro mil anos...Que pobreza!!!

A gente cria essa pobreza o tempo todo.
A gente cria o medo. E todo o resto.

Vamos tomar um vinhozinho
Ouvindo uma cítara
Vendo a lua ornar o céu?


Fernanda Blaya Figueiró

Todas as vezes que eu sento na frente do computador eu rogo: que Deus me livre de dizer a verdade.

Fernanda Blaya Figueiró

Libertador

Foi descobrir que não tenho que mudar nada.
Não carrego nenhuma missão divina, ou apostólica.
Sou pó e sempre serei.
Não preciso mudar o mundo. Ele muda sozinho.
Também não preciso me iludir com nada... Tudo é sempre igual.

Agora caminho mais leve pelas ruas
Talvez depois da chuva nada mais seja assim.

Fernanda Blaya Figueiró

Embriagues de vida...

Paixão de poeta é
Embevecimento
Por si mesmo

Fernanda Blaya Figueiró

Revolta

Não é a revolta do vento
Do mar
Da natureza
O que revolta meu estômago
É a falta de revolta
Diante do abandono

Fernanda Blaya Figueiró

Alitera

Um verso livre
não preocupado
com o que
ou
com quando
ou
com sendo

A literatura
viva
interada
amada
solta

laranja
de gomos
exuberantes
e casca grossa
literalmente
brasileira

Fernanda Blaya Figueiró

Mini conto

O senhor está preparado para dirigir um País sóbrio?

O Candidato congelou... Nunca havia pensado nisso.

Fernanda Blaya Figueiró
Dos loucos

Uma pessoa que perturbava.


Tirava o sossego das outras pessoas. Não como o choro de uma criança que irrompesse a madrugada. Ou, o cobrador que invadisse a linha telefônica logo pela manhã. Ou a notícia nefasta, na caixa de correspondência, denunciada pelo timbre antes mesmo da carta aberta. Esses todos são muito fáceis de se livrar.Onira era perturbadora, na fala, nos gestos, na presença quase insignificante, mas, paradoxalmente incomoda. Indesejada. Parecia cobrar constantemente, coisas incobráveis, como o amor.
Agora que: - Já se foi! Com a Graça de Deus.
Podia ser revisitada, como uma grande obra que nos arroubos de um jovem e atrevido escritor fosse dilapidada em sua essência e reduzida a um livreto de fácil leitura.
Uma fogueira e restaria só o aceitável. Nada de sorrisos escancarados. Como quem altera a cena de um crime contra a imagem.
Removeu erros, anulou rascunhos e qualquer indício de devaneios. Qualquer gemido nas entrelinhas. Qualquer toque, suor, lágrima ou gota.
A obra limpa.
Os despojos queimados.Ao percorrer os corredores da obra descobriu...
O incomodo continuava ali. Gritando.
Em cada verso desalinhado.

Fernanda Blaya Figueiró

Pelas Ruas

A sombra na calçada não é uma ameaça real.
É um jogo, uma brincadeira dos sentidos.- Obrigada, mãe!- ele responde ao receber a moeda – Eu te amo! – E assim, parte. Pés descalços, rosto queimado, olhos vazios.
A cidade aceita, com culpa, medo e remorso.
Toda a cidade tem andarilhos... Senhoras, senhores e servidores... Horrores...
Sob os pés pedra. Sobre a cabeça sol. Nada disso existe!
Toca o barco... Toca a vida. É você! Sempre, você.

Fernanda Blaya Figueiró

Liberdade em Monumento.

-Mentira! -Mentira!Gritava, contorcendo o corpo, em movimentos de gestos largos. Corpo que girava hora com os braços soltos, hora esmurrando o peito. Cabelos desgrenhados e olhos insanos atordoados num ir e vir desprovido de sentido.O cruzamento trancado. As mãos apertadas ao rosto, o casaco sujo. Os gritos invadindo as janelas fechadas. E, o sinal piscando no amarelo. O vento trocando o som por saliva. A revolta dirigida ao monumento a Liberdade.Homem ou Mulher?... Que pergunta?- Mentira! Mentira! Mentira... O sinal, em fim, retornava. Mas, o caos já estava espalhado. Pelo retrovisor e a uma velocidade quase nula a figura desaparecia. No rádio o desfecho, morto vândalo que agredia o monumento.A liberdade não combinava com a prisão. Do corpo, da roupa, do sinal, do monumento.A mentira.

Fernanda Blaya Figueiró



Poema Mudo

Tem coisa mais linda

Que um poema

Silencioso?

Fernanda Blaya Figueiró

O sofrimento cessa quando aceitamos que cessou...

Fernanda Blaya Figueiró

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