Quebra de monotonia

Quebra de monotonia


Ontem havia pouca luz e as imagens do cotidiano parece que mudam com a luz baixa, fui ao MARGS e gostei bastante das exposições, me pareceu um olhar diferente sobre luz e cor, sobre pobreza e riqueza. Pobreza é também estética. As vezes acho que há uma monotonia na arte contemporânea, talvez eu esteja errada, já que sou só uma observadora comum, mas parece que já foi muito repetido um padrão de ação, de expressão. Na literatura também. Não há nada de novo no Front, ou talvez a aceleração das mudanças tecnológicas esteja afetando a nossa expectativa. Achei a exposição leve, a rua estava mais pesada que o interior dos lugares. Outro dia estive visitando o Memorial e experimentei uma sensação estranha: Nós sabíamos. Todos nós sabiamos. As músicas, as cores, as lembranças são familiares, são normais. Haviam pessoas morrendo: “subversivos!”. Isso fica forte a sociedade sabia e não olhava. Como pilatos, lavamos as mãos e o grande quadro, de Jesus Morto, que já assisti em inúmeras instalações, está ficando “Déjà-vu ”, desgastado, está perdendo sua força expressiva, podia ir para casa por um tempo, descansar. A exposição no Memorial ficou boa, mas batida, parece que já vimos tudo aquilo, não apresentou nada de novo. Os objetos de tortura parecem mais um fetiche. Talvez eu é que esteja envelhecida, meu olhar esteja cansado do mesmo. Ou algo novo, verdadeiramente novo e talvez assustadoramente novo está em ebulição. Esse caso do menino Bernardo parece um pouco os eventos como os do filme A fita branca, quando a sociedade se aproxima da barbárie. Estamos acostumados a saber de maldades nas classes sociais mais baixas e justificamos; falta educação, falta estrutura social, falta ação do estado, falta paradigmas, os agressores foram agredidos... Li hoje sobre uma “líder comunitária” acho que me São Paulo que justifica que homens que batem em mulheres apanhem de mulheres, na semana passada um estuprador foi empalado com um tubo de desodorante e morreu, meninos foram acorrentados e espancados por populares, um motorista atropelou e matou um ciclista que o havia esfaqueado, pessoas estão morrendo por punhados de dinheiro, por qualquer motivo. As pessoa, nós sabemos. O que pensamos sobre isso tudo?


Fernanda Blaya Figueiró





















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