Crônica - A culpa

A culpa

Um dia desses uma jovem me disse assim: - Estou cansada de colocarem a culpa dos problemas do mundo nos pobres. - O pobre não é um problema! Continuou. Respondi a ela que o pobre realmente não era um problema, mas que a pobreza era algo que precisava ser vencido pela humanidade. Acho que minha resposta foi um pouco ingênua, porque muitas vezes vemos e ouvimos a associação entre os problemas de uma comunidade relacionadas ao pobre. Como se a sujeira das nascentes, por exemplo, fosse culpa dos moradores de periferia. Os incêndios provocados pelos gatos e construções irregulares. Os crimes pelos marginais, o pobre que não se encaixa no sistema. Os deslizamentos são culpa do tipo de construção das casas onde o pobre habita. Alguém tem que levar a culpa: o pobre. E a equação fica resolvida e quem não é “o pobre” vai trabalhar na formação de uma consciência. Talvez a consciência de que não resta ao pobre outra realidade. Ele mora onde “sobra” lugar, o talvez onde “falte” lugar. Quem é esse sujeito: O pobre? A super lotação do mundo, as falhas do sistema de educação, saúde, cultura, segurança, existem porque “O pobre” tem muitos filhos? A jovem com quem falei tinha razão: o pobre, no mundo atual, tem umas costas largas. Acho que para vencer a pobreza teríamos que desvendar a natureza humana, com mais cuidado. A velha máxima “Conhece- te a ti mesmo” deveria ser resgatada, não que em algum momento tenha sido esquecida, mas quem é o ser humano? Será que conhecemos nossa humanidade tanto quanto deveríamos? Porque a pobreza é tão intrínseca à sociedade? Tão humana? Com essa jovem eu gostaria de aprender. Na minha visão curta e ingênua do mundo estamos caminhando no rumo de coisas melhores, estamos nos adaptando, criando e destruindo o tempo todo. Tento trabalhar a minha própria consciência, quem eu sou e represento neste complexo todo. Como classe média minha condição é intermediária entre os mundos do “rico” e do “pobre” , posso transitar entre eles e fico longe dos dois extremos os “mega ricos” e os “miseráveis”. Só que o sol é o mesmo para todos nós. A água é a mesma. A jornada é a mesma. A vida e a morte estão presentes da mesma forma.

Fernanda Blaya Figueiró
29 de junho de 2011

Comments

Anonymous said…
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luis fonte said…
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zaira said…
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